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Shoftim (Juizes)

SHOFTIM  (Juizes)

 

1Após a morte de YAHUSHUA, a nação de Yashorúl
consultou YAHU ULHÍM para receber as suas instruções. Qual será a tribo que devera
ir primeiro à guerra contra os cananeus?, perguntaram.

2A resposta de YAHU
ULHÍM foi: YAHUDAH. E dar-lhe-ei uma grande vitória.

3Os líderes da tribo de YAHUDAH, contudo, pediram auxílio à tribo de Shamiúl: Venham connosco lutar contra o povo que está ainda na porção de terra que nos coube em sorte, e depois seremos nós a ajudar-vos a conquistar o vossa parte. E assim o exército de Shamiúl foi com o de YAHUDAH.

4-5 YAHU ULHÍM ajudou-os a derrotarem os cananeus e os
perizeus, de tal forma que houve dez mil baixas, da parte do inimigo, em
Bezeque.

6O rei Adoni-Bezeque conseguiu fugir, mas o exército de Yashorúl em
breve o capturou, e cortaram-lhe os dedos polegares dos pés e das mãos.

7Fiz isto mesmo a setenta outros reis que depois andavam a apanhar migalhas debaixo
da minha mesa!, dizia o rei Adoni-Bezeque. Agora YAHU ULHÍM pagou-me da mesma
moeda. Foi levado para YAHUSHUA-oléym e lá morreu.

8YAHUDAH tinha conquistado YAHUSHUA-oléym
e destruído o seu povo, pondo fogo à cidade.

9-11Depois o exército de YAHUDAH combateu os cananeus na região das colinas, no Négev e nas planícies costeiras. Posteriormente retomou a luta contra eles em Hebron (antigamente chamada Kiryat-Arba), destruindo-lhes as cidades de Sesai, Aimã e Talmai. Por último atacaram a cidade de Debir (antigamente chamada Kiryat-Sefer).

12Quem vai comandar o ataque contra Debir?, desafiou Caleb. Quem a conquistar terá a minha filha Acsa como mulher!

13O sobrinho de Caleb, Othniul, filho do seu irmão mais
novo Quenaz, ofereceu-se voluntariamente para chefiar o ataque. Conquistou
assim a cidade e obteve Acsa como esposa.

14Quando estavam para ir viver juntos para o seu novo lar, ele pediu-lhe insistentemente que pedisse ao pai mais terra para eles. E foi ela própria que, vendo seu pai Caleb, desceu da montada em que ia para lhe falar no assunto. Que pretendes?, disse-lhe o pai ao vê-la aproximar-se.

15Foi muito bom da tua parte dares-me terra no Négev, mas peço-te
que nos dês também fontes de água. E dessa forma Caleb deu-lhe fontes de água
superiores e inferiores.

16Quando a tribo de YAHUDAH foi instalar-se no seu novo território, no deserto do Négev, ao sul de Arade, os descendentes do sogro de Mehushúa – membros do grupo dos queneus – acompanharam-nos. Deixaram as suas casas em Yáricho, a cidade das palmeiras, e passaram assim a viver juntos com a tribo de YAHUDAH.

17Posteriormente a tribo de YAHUDAH juntou-se à de Shamiúl
para combater os cananeus na cidade de Zefate, e destruíram a população. Assim
a cidade passou a ser chamada Orma (que quer dizer, massacrado).

18 O exército de YAHUDAH conquistou igualmente as cidades de Gaza, de Asquelon e de Ekron, com as localidades da sua jurisdição.

19 YAHU ULHÍM ajudou a tribo de YAHUDAH a exterminar o povo das colinas, ainda que tivessem falhado na tentativa de conquistar o do vale, que tinha carros de ferro.

20A cidade de Hebron foi dada a Caleb, conforme a promessa de YAHU UL. Assim Caleb lançou fora os seus habitantes, que eram descendentes dos três filhos de Anaque.

21A tribo de Benyamín não exterminou os jebuseus que viviam em YAHUSHUA-oléym; por isso ainda lá vivem hoje misturados com os Yashorulítas.

22-26Quanto aos da tribo de YAHU-saf, atacaram a cidade de Bohay-Úl, anteriormente conhecida por Luz, e YAHU ULHÍM esteve com eles. Primeiro enviaram espias que capturaram um homem que vinha a sair da cidade. Propuseram-lhe poupar a vida dele e da sua família se desse a conhecer a passagem através da muralha para entrar na cidade. O homem concordou, mostrou-lhes como entrar lá dentro, e eles massacraram a população toda excepto o homem com a sua família. Mais tarde aquele indivíduo foi para a Syria e edificou lá uma cidade a que chamou também Luz, como é ainda conhecida hoje.

27-29A tribo de Menashé também não expulsou o povo que vivia em
Beth-Sheán, Taanaque, Dor, Ebleão e Megido, nem tão pouco nos lugares
circunvizinhos; e assim os cananeus continuaram a viver ali. Anos mais tarde,
quando os Yashorulítas se tornaram mais fortes, puseram os cananeus a trabalhar
como escravos, mas nunca os forçaram a deixar o território. Aconteceu o mesmo
aliás com os cananeus que viviam em Gezer; ainda lá estão habitando no meio da
tribo de Efroím.

30-33A tribo de Zabulón também não destruiu o povo de Quitrom,
nem de Naalol, mas fizeram-nos seus escravos; a tribo de Oshór da mesma forma
não expulsou os residentes de Aco, de Sidom, de Alabe, de Aczibe, de Helba, de
Afeca, nem de Reobe; assim os Yashorulítas vivem ainda entre os cananeus que
eram o povo indígena daquela terra. O mesmo se deu com a tribo de Neftali que
não pôs fora o povo de Beth-Shemesh nem de Beth-Anate; e essa gente continua a
viver com eles como servos.

34-36Quanto à tribo de Dayán, os amorreus
forçaram-nos a circunscreverem-se à região das colinas e não os deixaram descer
para os vales; mas quando mais tarde os amorreus tentaram espalhar-se pelas
montanhas de Heres, de Ayalon e de Saalabim, a tribo de YAHU-saf dominou-os e
fez deles escravos. A fronteira dos amorreus começa na subida da passagem do
escorpião, desce a um lugar chamado a rocha e continua dali para cima.

 

SHOFTIM 2

 

O anjo de YAHU UL em Boquim

 

1-2Certo dia, o anjo de YAHU UL chegou a Boquim, vindo de Gilgal, e fez este anúncio ao povo de Yashorúl: Tirei-vos do Egito, trouxe-vos para esta terra que prometi aos vossos antepassados e garanti-vos que nunca quebraria a aliança que fiz convosco na condição de, da vossa parte, não fazerem qualquer espécie de tratado com o povo que vive aqui; disse-vos pois que deveriam destruir os altares desta gente. Porque não obedeceram?


3Agora, visto que quebraram a aliança feita comigo, esta deixou de ter efeito,
e já não vos prometo mais destruir as nações que vivem nesta terra; pelo
contrário, elas vos serão como espinhos na carne; os seus falsos criadores o
estatuas tornar-se-ão uma tentação constante para vocês.

4-5O povo começou a
lamentar-se e a chorar quando o anjo acabou de falar; por isso o nome daquele
lugar ficou a chamar-se Boquim. Então ofereceram sacrifícios a YAHU ULHÍM.

 

YAHUSHUA morre

 

6-9Quando YAHUSHUA finalmente licenciou os
exércitos de Yashorúl, cada tribo foi para os seus novos territórios e tomaram
posse das terras que lhes tinham sido doadas. YAHUSHUA, o homem de YAHU ULHÍM,
morreu na idade de 110 anos; foi enterrado no limite da sua propriedade, em
Timnate-Heres, nas colinas de Efroím, a norte do Monte Gaás. O povo permaneceu
fiel a YAHU ULHÍM durante o tempo da vida de YAHUSHUA, e também enquanto
viveram aqueles anciãos da sua geração, que tinham visto os poderosos milagres
feitos pelo YAHU ULHÍM a favor de Yashorúl.

 

Desobediência e derrota

 

10-14Mas essa geração acabou por morrer
toda; veio depois outra que ignorou YAHU ULHÍM e tudo o que ele tinha feito por
Yashorúl. Fizeram mesmo muitas coisas que YAHU ULHÍM tinha expressamente
proibido, incluindo a adoração de ídolos pagãos. Abandonaram YAHU ULHÍM, o
Criador Eterno seus antecessores, que os tinha arrancado do Egito. Puseram-se a
prestar adoração aos ídolos das nações vizinhas. Por isso a ira de YAHU UL se
acendeu contra Yashorúl, e entregou-os nas mãos dos seus inimigos, pois que se
afastaram de YAHU ULHÍM e se puseram a adorar a Baal e os ídolos astarotes.


15-19Assim, sempre que a nação de Yashorúl saía a combater os seus inimigos, YAHU
ULHÍM dificultava-lhes a ação. Tinha-os avisado disso mesmo, tinha-lhes até
prometido que o faria. Mas quando o povo se encontrava em grande aperto, YAHU
ULHÍM fez levantarem-se juízes para os livrar dos inimigos. Pois mesmo assim Yashorúl não quis ouvir esses juízes, faltou às suas promessas com YAHU ULHÍM, pondo-se a adorar outros falsos criadores o estatuas. Bem depressa se desviaram da
verdadeira fé dos seus pais, pois recusaram obedecer aos mandamentos de YAHU
ULHÍM. Cada juiz salvava o povo de Yashorúl dos seus inimigos enquanto vivia,
porque YAHU ULHÍM se apiedava com o clamor do povo sob o peso da opressão; e
assim os ajudava enquanto o juiz vivia. Mas quando este morria deixavam de
viver com justiça e faziam ainda pior do que os seus pais. Dirigiam preces aos
ídolos pagãos, novamente, lançando-se ao chão em atitudes de humilde adoração.
Volviam obstinadamente aos hábitos malvados das nações que se situavam à sua
volta.

20-22Então a ira de YAHU UL tornava-se a acender contra Yashorúl. E
declarava: Visto que este povo violou a aliança que fiz com os seus antecessores,
nunca mais expulsarei as nações que YAHUSHUA deixou por conquistar quando
morreu. Pelo contrário, usá-las-ei mesmo para testar o meu povo, para me
certificar se sim ou não obedecem a YAHU ULHÍM, como fizeram seus pais.

23Foi assim que YAHU ULHÍM deixou esses povos na terra, e não os expulsou; tão pouco Yashorúl os destruiu.

 

SHOFTIM 3

 

Os povos que Yashorúl não expulsou

 

1-2Segue-se uma lista dos povos que YAHU ULHÍM deixou na terra para experimentar as novas gerações de Yashorúl, que ainda não tinha passado pelas guerras de Canaã. Porque YAHU ULHÍM pretendia dar oportunidade à juventude de Yashorúl de pôr à prova a sua fé e a sua obediência, dominando os inimigos.

3São eles: os Palestinos, com cinco cidades,
os cananeus, os sidónios e os heveus, que viviam nas montanhas do Lebanon,
desde BaalHermon até à entrada de Hamate.

4Estes povos pois foram um teste para
a nova geração de Yashorúl para ver se obedeceriam aos mandamentos que YAHU
ULHÍM lhes tinha dado através de Mehushúa.

5E assim viveu Yashorúl entre os
cananeus, os heteus, os heveus, os perizeus, os amorreus e os jebuseus.

6-7Mas em vez de os destruir, o povo de Yashorúl cruzou-se com eles, através de
casamentos. Os moços Yashorulítas tomaram as raparigas deles como mulheres, e
vice-versa. E daí, até que Yashorúl começasse a adorar também os seus falsos
criadores o estatuas, foi um pequeno passo. Por isso o povo de Yashorúl estava
muito mal visto aos olhos de YAHU ULHÍM visto que se rebelaram contra YAHU
ULHÍM o seu YAHU ULHÍM e puseram-se a dar adoração a Baal e aos ídolos
asterotes.

 

O juiz Othniul

 

8-10A ira de YAHU UL inflamou-se contra Yashorúl
e permitiu que o rei Cusã-Risataim da Syria oriental os vencesse na guerra. E
ficaram sob o seu domínio durante oito anos. Mas quando Yashorúl gritou a YAHU
ULHÍM por socorro, deu-lhes o sobrinho de Caleb, Othniul (filho de Quenaz,
irmão mais novo de Caleb), que os salvou. O RÚKHA de YAHU UL tomou posse dele e
pôde assim reformar e limpar Yashorúl, de tal forma que quando conduziu as
forças militares de Yashorúl contra o rei Cusã-Risataim, YAHU ULHÍM ajudou Yashorúl
a vencê-lo duma forma absoluta.

11-14Depois, durante quarenta anos queestiveram sob a chefia de Othniul, houve paz na terra. No entanto quando Othniul faleceu, o povo de Yashorúl regressou novamente aos maus caminhos de antigamente, e YAHU ULHÍM deixou que o rei Eglom de Moabe os vencesse, naquela altura. Por sinal tinham-se aliado a esse rei os exércitos dos amonitas e dos amalequitas. Essas forças derrotaram os Yashorulítas e tomaram posse de Yáricho, frequentemente chamada cidade das palmeiras. E durante dezoito anos o povo de Yashorúl esteve sujeito ao rei Eglom.

 

Eude

 

15-23Mas quando clamaram a YAHU ULHÍM,
mandou-lhes um libertador, Eude, filho de Gera, benjamita, que era canhoto.
Eude era o homem que devia levar o imposto anual de Yashorúl até à capital
moabita. Ora antes de encetar a viagem mandou fazer uma espada de dois gumes,
de meio metro de comprimento, e escondeu-a na roupa que vestia, junto à coxa
direita. Depois de ter entregue o dinheiro ao rei Eglom, que era muito gordo,
foi-se embora. Já fora da cidade, junto das pedreiras de Gilgal, despediu os
companheiros e voltou sozinho ter com o rei. Tenho uma mensagem secreta para
ti, disse-lhe rei mandou imediatamente sair toda a gente que ali se encontrava,
de forma a poder conversar em privado com ele. Estavam numa sala fresca, nos
andares superiores. Eude avançou então e disse: É uma mensagem de YAHU ULHÍM! O
rei levantou-se logo. Eude, com a mão esquerda puxou da espada que tinha escondida
junto à perna direita e cravou-lha no ventre. O próprio punho da espada ficou
enterrado na gordura do corpo. Eude deixou assim a espada, fechou as portas
atrás de si e escapou-se por uma saída secundária.

24-25Quando os servos do rei chegaram, mais tarde, viram as portas fechadas e esperaram, pensando que talvez ele estivesse na casa de banho. Mas depois de passar muito tempo sem que o rei aparecesse, começaram a estar preocupados e foram buscar uma chave. Ao abrirem a porta depararam com o seu chefe morto, estendido por terra.

26-27Entretanto Eude, chegando de novo às pedreiras, fugira em direção a Seirá. Quando chegou às colinas de Efroím fez um apelo às armas, ao som de trombetas, e organizou um exército sob o seu próprio comando.

28-30Sigam-me, gritou porque YAHU ULHÍM entregou já os vossos inimigos, os moabitas, nas vossas mãos! Inicialmente a sua ação consistiu em ocupar os baixios do Yardayán, perto de Moabe, para evitar que os outros passassem por ali, atravessando o rio a pé. Seguidamente foram atacar os moabitas, matando aproximadamente uns dez mil dos seus mais fortes e mais hábeis guerreiros, não deixando escapar ninguém. E dessa maneira Moabe foi conquistado por Yashorúl naquele mesmo dia. A terra ficou em paz durante os oitenta anos seguintes.

 

Sangar

 

31O juiz que veio a seguir a Eude foi
Sangar, filho de Anate. Duma vez conseguiu matar seiscentos Palestinos com uma
vara de bois. Por meio desse golpe salvou Yashorúl dum desastre.

 

SHOFTIM 4

 

Débora

 

1-2Posteriormente à morte de Eude Yashorúl tornou
a cair no pecado contra YAHU ULHÍM, o qual deixou que o rei Yabim de Hazor em
Canaã os vencesse e dominasse. O comandante das suas forças militares era
Sísera, que vivia em Harosete-Ha-Goiim.

3Este mandou fazer novecentos carros de
combate em ferro; e tornou a vida para os Yashorulítas insuportável durante
vinte anos. Mas por fim, rogaram muito a YAHU ULHÍM, que os socorreu.

4-5A pessoa que chefiava Yashorúl nessa altura era Débora, uma mulher profetisa,
casada com Lapidote. Vivia num lugar agora chamado Palmeira de Débora, entre
Roemáh e Bohay-Úl nas colinas de Efroím; e era ali que os Yashorulítas vinham
ter com ela para resolver questões e problemas, assim como para a ouvir falar
de YAHU ULHÍM.

6-7Um dia ela mandou chamar Boruháo (filho de Abínoam), que
vivia em Quedes no território de Neftali, e disse-lhe:  YAHU ULHÍM o Criador Eterno de Yashorúl manda que mobilizes dez mil homens das tribos de Neftali e de Zabulón. Leva-os ao monte Tabor para combaterem o poderoso exército de Yabim mais os seus carros de combate todos, que estão sob as ordens do general Sísera. YAHU ULHÍM diz-te, ‘Atraí-los-ei para junto do ribeiro de Quisom e derrotá-los-ás ali.’

8Estou de
acordo em partir; mas só se fores comigo! disse-lhe Boruháo.

9Está bem. Irei contigo. Mas desde já te aviso que a honra de ter conquistado Sísera irá assim recair sobre uma mulher e não sobre ti! Foi portanto com ele até Quedes.


10Quando Boruháo convocou os homens mobilizáveis de Zabulón e de Neftali em
Quedes, dez mil ofereceram-se voluntariamente. E Débora marchou com eles.


11(Heber o queneu – os queneus eram os descentes de Hobabe, o sogro de Mehushúa
– tinha-se separado do resto do seu clã, e tinha passado a viver em vários lugars,
chegando a estabelecer-se ao pé do carvalhal de Zaananim perto de Quedes.)


12-13Quando o general Sísera foi informado de que Boruháo e o seu exército
estava acampado no monte Tabor, tratou de mobilizar todo o exército, incluindo
os novecentos carros de combate em ferro, e pôs-se em marcha de
Harosete-Ha-Goiim para o ribeiro de Quisom.

14-16Então Débora disse a Boruháo: Agora é a altura de entrar em ação! É YAHU ULHÍM que te vai dar Sísera nas tuas mãos! Boruháo pois levou os seus dez mil homens até à base do monte Tabor, preparando-se para o combate. Mas YAHU ULHÍM lançou o pânico nas hostes inimigas, tanto nas de infantaria como nos condutores dos carros. Sísera saltou mesmo do seu carro e fugiu a pé. Boruháo e os seus homens perseguiram-nos, aos que iam a pé como aos dos carros, até Harosete-Ha-Goiim. Não os deixaram sem que estivessem todos liquidados. Ninguém foi deixado com vida.

17Entretanto Sísera escapara para a tenda de Yael, a mulher de Heber o queneu, pois que havia como que um acordo de auxílio mútuo entre o rei Yabim de Hazor e a clã de
Heber.

18Yael saiu ao encontro de Sísera e disse-lhe: Vem para a minha tenda,
chefe! Ficarás seguro sob a nossa proteção. Nada receies. Ele aceitou o
convite, e ela cobriu-o com uma manta.

19-20Por favor, dá-me água, estou morto
de sede, disse-lhe. Yael deu-lhe leite a beber e tornou a cobri-lo. Olha,
põe-te aí à entrada, pediu ele. Se alguém vier à minha procura, dizes-lhe que
não está cá ninguém, claro.

21Foi então que Yael pegou numa estaca de tenda e
num martelo; aproximou-se mansamente dele enquanto dormia num profundo sono, e
cravou-lhe a estaca nas fontes, pregando-lhe a cabeça no chão. E morreu dessa
forma, pois que estava carregado de sono e de cansaço.

22Quando Boruháo se chegou à procura dele, Yael veio logo ao seu encontro, exclamando: Anda, vou mostrar-te o homem que procuras. Boruháo entrou com ela na tenda e deparou com Sísera ali prostrado, sem vida, com a estaca cravada na cabeça.

23-24Nesse dia pois YAHU ULHÍM usou Yashorúl para subjugar o rei Yabim de Canaã. A partir dessa altura Yashorúl foi ganhando cada vez mais supremacia sobre a nação do
rei Yabim, até que acabou por ser toda destruída.

SHOFTIM 5

 

O cântico de Débora

 

1Débora e Boruháo compuseram então e
cantaram este cântico de vitória:


2Haolul-YAHU! Os líderes de Yashorúl conduziram corajosamente o povo.
Este seguiu-os de cabeça erguida.Sim, bendito seja YAHU ULHÍM!


3Escutem, vocês, reis e governantes,porque vou cantar a YAHU ULHÍM, o
Criador Eterno de Yashorúl.


4Quando nos fizeste sair de Seir,e nos levaste através dos campos de
Edom, a terra tremeu,os shua-ólmaYa derramaram chuvas.


5Sim, até o Monte Sinai tremeu na presença de YAHU ULHÍM de Yashorúl.


6Nos dias de Sangar, o filho de Anate; e nos dias de Yael,as grandes
estradas ficaram desertas;e os viajantes preferiram ir pelos estreitos atalhos
retorcidos.

7Opovo de Yashorúl estava a decair a olhos vistos;até que apareceu Débora,que se
tornou como que uma mãe para Yashorúl.


8Quando Yashorúl vai atrás de falsos criadores o estatuas estrangeiros,é
a derrocada de tudo, é guerra. Os chefees que nos dominavam não permitiam
sequer que tivéssemos um escudo ou uma lança nas nossas mãos. Entre quarenta
mil soldados Yashorulítas não se encontra uma só arma!


9Como me alegro nos chefes de Yashorúl,que tão generosamente se deram a
si próprios! Haolul-YAHU!


10Que Yashorúl inteiro, ricos e pobres, se juntem nos seus louvores,
tanto os que andam montados em brancos jumentos e pisam tapetes ricos em
casa,como os que têm de andar a pé pelos caminhos.


11Os músicos de cada povoação juntam-se no poço da vila,para exaltar os
triunfos de YAHU UL. Sem cessar, fazem suceder os hinos e baladas,sobre como YAHU
ULHÍM salvou Yashorúlcom um exército de combatentes! O povo de YAHU UL passou
as portas das cidades.


12Levanta-te, Débora, e canta! Ergue-te, Boruháo! Tu, filho de
Abínoam,chega-te, com os teus prisioneiros!


13Descendo o monte Tabor via-se o nobre resto do povo. O povo de YAHU UL
desceu avançando contra grandes pessoas.


14Vieram de Efroím e de Benyamín, de Maquir e de Zabulón.


15Veio até ao vale essa nobre gente de Ishochar,com Débora e com
Boruháo. À ordem de YAHU ULHÍM acorreram todos ao vale. Contudo, a tribo de
Ro-ibén não se deslocou.


16Porque ficas sentado em casa, no meio dos rebanhos, ouvindo os balidos
dos animais e as flautas dos anciãos? Sim, a tribo de Ro-ibén não pode estar
com a consciência descansada.


17Porque ficou também Gaúliod do lado de lá do Yardayán, e porque razão
Dayán ficou à beira dos seus barcos? E qual a razão que levou Oshór a deixar-se
estar impassível, nas praias, descansando junto aos seus portos?


18Mas as tribos de Zabulón e de Neftali não tiveram medo de morrer nos
campos de batalha.


19Os reis de Canaã lutaram em Taanaque, junto às fontes de Megido, mas
não foram vitoriosos.

20Até as próprias ‘cocavím’ (est-elas) do
céu lutaram contra Sísera.


21O veloz ribeiro de Quisom os arrastou, os varreu. Avante, alma minha,
corajosamente!


22Ouve o trotar dos cascos da cavalaria inimiga! Observa o galopar dos
seus corcéis!

23Poisapesar disso o anjo de YAHU ULHÍM amaldiçoou Meroz, Que os seus habitantes
sejam asperamente amaldiçoados, disse. Porque não quiseram empenhar-se na luta
de YAHU ULcontra os seus inimigos.


24Bendita seja Yael, a mulher de Heber, o queneu. Sim, que ela seja
abençoada,acima de todas as mulheres, nos seus lares.


25Pediu-lhe água, e ela deu-lhe leite, numa bela chávena.


26Mas depois, pegou numa estaca, num martelo,cravou-a na fonte de
Sísera, rachando-lhe a cabeça, atravessando-a de lado a lado.


27Ele ali ficou prostrado a seus pés, sem vida.


28A mãe de Sísera bem olhava pela janela, esperando o seu regresso: Mas
porque é que o seu carro demora tanto a regressar? Porque é que não se ouve
ainda o barulho do rodado dos carros pelo caminho?


29As amigas que lhe faziam companhia, respondiam-lhe, e ela concordava:


30É que deve haver grande despojo a repartir. E isso leva tempo. Cada
homem fica com uma ou duas raparigas. Sim, acrescentava ela, Sísera há-de
trazer vestidos de lindas cores,e muitos presentes para me oferecer.


31Ó YAHU ULHÍM, que todos os teus inimigos pereçam como Sísera,mas
aqueles que te amam, que sejam como o sol,quando se levanta na sua força!

Depois disto acontecer, houve paz na terra
durante quarenta anos.

 

SHOFTIM 6

 

YAHU ULHÍM chama Gideon

 

 

1No entanto, novamente o povo de Yashorúl
começou a prestar adoração a outros falsos criadores o estatuas, e mais uma vez
YAHU ULHÍM permitiu que os seus inimigos os castigassem. Desta vez foram os
midianitas, e durante sete anos.

2-5Estes foram tão cruéis que os Yashorulítas
tiveram de se refugiar nas montanhas, indo viver para cavernas e esconderijos.
Quando semeavam os campos, vinham bandos de Midiã, de Ameleque e de outros
povos vizinhos destruir as searas e pilhar toda a região até Gaza, não deixando
uma migalha para comer, levando tudo o que era gado, carneiros, bois, jumentos.
Estas hordes inimigas chegavam montadas numa multidão de camelos, nem se podiam
contar, e só deixavam a terra depois de a terem completamente desvastado e
saqueado.

6-7Yashorúl ficou assim progressivamente reduzido à miséria por causa
daquela gente. Até que, por fim, o povo de Yashorúl começou a clamar pela ajuda
de YAHU UL.

8-10 YAHU ULHÍM respondeu, no entanto, através dum profeta que lhes
foi enviado com esta mensagem:  YAHU ULHÍM o Criador Eterno de Yashorúl arrancou-vos à escravidão do Egito, salvou-vos dos egípcios, e de todos os que vos dominavam cruelmente, expeliu os vossos inimigos da vossa frente e deu-vos esta terra. Além disso afirmou-vos que, sendo ele YAHU ULHÍM vosso Criador Eterno, não deveriam venerar os falsos criadores o estatuas dos amorreus que vivem à vossa volta. Mas vocês não deram ouvidos às suas recomendações.

11Um dia o anjo de YAHU UL chegou-se e sentou-se
sob o carvalho de Ofra, na propriedade de Ya-ósh, o abiezrita. O filho de Ya-ósh,
Gideon, estava a malhar trigo. Mas tinha ido fazer isso para o lagar, para se
esconder dos midianitas e salvar o grão do vandalismo deles.

12O anjo dirigiu-se-lhe dizendo assim:  YAHU ULHÍM
é contigo, homem corajoso!

13Se YAHU ULHÍM é connosco, respondeu-lhe Gideon,
porque é que nos tem acontecido tudo isto? Por que razão não se dão entre nós
aqueles famosos milagres que os nossos pais nos contam – como por exemplo,
quande YAHU ULHÍM nos tirou do Egito? YAHU ULHÍM desamparou-nos e deixou que os midianitas nos arruinassem completamente.

14Então YAHU ULHÍM, voltando-se para ele, declarou-lhe: Vai com a força que te dou. Livrarás Yashorúl das mãos dos
midianitas. Sou eu mesmo quem te envia!

15Gideon replicou: Mas, então como
posso ser eu a salvar Yashorúl? A minha família é a mais pobre de toda a tribo
de Menashé, e na minha casa eu sou aquele a quem menos atenção se dá.

16Eu, YAHU ULHÍM, serei contigo! E tu destruirás os midianitas todos duma só vez!

17-18Se é realmente assim, que me irás ajudar dessa maneira, então rogo que faça agora
um milagre qualquer que me dê prova disso. Que me prove que é realmente YAHU
ULHÍM que me está a falar desta maneira. Mas entretanto peço-lhe que não se vá
já embora porque eu queria ir buscar um presente para si. YAHU ULHÍM respondeu:
Está bem, ficarei aqui até que voltes.

19Gideon foi a correr a casa, preparou
um cabrito, mediu 22 litros de farinha e amassou uns bolos, sem fermento; pôs a
carne e o caldo numa panela e trouxe tudo ao anjo, que continuava debaixo do
carvalho.

20O anjo disse-lhe: Põe a carne e os bolos sobre aquela rocha, e o
caldo, derrama-o por cima. Depois de Gideon ter obedecido,

21o anjo tocou na
carne com a ponta do seu cajado, e saiu fogo da rocha que consumiu aquilo tudo.
De repente, o anjo desapareceu da frente dele.

22Gideon deu-se então
verdadeiramente conta de que era mesmo o anjo de YAHU UL quem tinha estado ali
com ele, e exclamou: Ai de mim, ó YAHU ULHÍM o Criador Eterno, porque vi o anjo
de YAHU UL face a face!

23Fica tranquilo, respondeu-lhe YAHU ULHÍM. Não tenhas
receio, não morrerás.

24Gideon construiu ali mesmo um altar e pôs-lhe o nome de
altar da Paz com YAHU ULHÍM. Está ainda em Ofra, na terra dos abiezritas.


25Nessa noite YAHU ULHÍM disse-lhe para amarrar o melhor boi do seu pai ao
altar de família consagrado a Baal, e deitá-lo assim abaixo com a força do
animal; mandou-lhe também que derrubasse o ídolo de madeira da idolo Asera que
ali estava perto.

26Substitui-o por um altar a YAHU ULHÍM vosso Criador Eterno;
constrói-o aqui nesta colina, colocando as pedras com todo o cuidado. Depois
sacrifica o boi como holocausto a YAHU ULHÍM, usando a madeira do ídolo como
lenha para o fogo do altar.

27Gideon tomou dez homens dos seus criados e
cumpriu com o que YAHU ULHÍM lhe mandara. Mas fez tudo de noite, com medo da reação das outras pessoas que viviam na casa do seu pai e da gente da cidade; pois
dava-se bem conta do que aconteceria quando verificassem o que tinha feito.


28Logo bem cedo na manhã seguinte, quando a vida na cidade recomeçava, alguém
descobriu que o altar de Baal tinha sido derrubado, o ídolo ali perto tinha
desaparecido e que um novo altar fora construído, vendo-se ainda nele os restos
de um sacrifício.

29Quem foi que fez isto?, perguntava toda a gente. Depois de
investigarem cuidadosamente acabaram por descobrir que tinha sido Gideon, o
filho de Ya-ósh.

30Traz o teu filho cá fora!, gritaram defronte da casa de Ya-ósh.
Terá que morrer porque insultou o altar de Baal e deitou abaixo o símbolo de
Asera que estava junto dele.

31No entanto Ya-ósh respondeu àquela gente
amotinada: Será que Baal precisa mesmo da vossa ajuda? Isso seria um insulto
para qualquer idolo! Vocês é que deveriam morrer por estarem assim a insultar
Baal! Se Baal é realmente um idolo, deixem que seja ele a cuidar de si próprio
e a aniquilar quem foi que lhe destruiu o altar.

32Daí em diante Gideon passou a ser conhecido por Yerubaal, que queria dizer: Deixem Baal cuidar de si próprio!

33Algum tempo depois os exércitos de Midiã, de Ameleque e de outras
nações vizinhas uniram-se numa vasta aliança contra Yashorúl. Atravessaram o
Yardayán e acamparam no vale de Yazoro-Úl.

34-35Então o RÚKHA de YAHU UL veio
sobre Gideon. Este tocou a trombeta de chamada às armas, e os homens de Abiozor
juntaram-se a ele. Mandou também mensageiros através de Menashé, de Oshór, de
Zabulón e de Neftali, congregando as suas forças de combate, e todos
responderam.

36-37Gideon disse a YAHU ULHÍM: Se vais na verdade empregar-me
para salvar Yashorúl, tal como me prometeste, dá-me a prova disso desta
maneira: Vou pôr um pedaço de lã esta noite no chão da eira, e se pela manhã o
novelo estiver húmido, mas todo o resto do chão estiver seco, saberei por essa
forma que irás ajudar-me!

38E aconteceu precisamente assim. Quando se levantou
na manhã seguinte foi apertar o novelo de lã e estava cheio de água; encheu
mesmo uma taça com a água que tinha!

39Então Gideon disse a YAHU ULHÍM: Peço-te
que não te enfasties comigo, mas deixa-me fazer um novo teste: desta vez que
seja o novelo a ficar seco e o chão à volta molhado!

40 YAHU ULHÍM fez como ele
lhe pediu; nessa noite o novelo ficou seco mas em contrapartida o chão estava
todo coberto de orvalho!

 

SHOFTIM 7

 

Gideon vence os midianitas

 

 

1Yerubaal (ou seja, Gideon) e o seu exército
partiram muito cedo pela manhã e chegaram até à fonte de Harode. Os exércitos
de Midiã estavam acampados a norte, no fundo do vale, por detrás da colina de
Moré.

2-3 YAHU ULHÍM disse então a Gideon: Há gente demais contigo. Não posso
deixar todos esses homens lutar contra os midianitas, porque se assim fosse o
povo de Yashorúl haveria de se gabar de que por si próprios se tinham salvo,
devido à sua própria força! Manda para casa todos os que estiverem receosos e
acobardados. E foi assim que nada menos do que vinte e dois mil homens se foram
embora, e só dez mil ficaram, decididos a combater.

4Mas YAHU ULHÍM tornou a dizer a Gideon: Há ainda gente a mais! Leva-os até à fonte e mostrar-te-ei lá quais são os que irão contigo e quais os que terão de ficar de parte.

5-6Gideon juntou-os à beira da água, e ali mesmo YAHU ULHÍM lhe disse: Divide-os em dois grupos, de acordo com o modo como bebem. Porás de um lado os que beberem a água, lambendo-a como os cães, do outro ficarão os que se ajoelharem e puserem
a boca mesmo na água para beberem. E apenas trezentos homens beberam com as
mãos; todos os outros se inclinaram com a boca até à corrente.

7Conquistarei os midianitas com estes trezentos, disse YAHU ULHÍM a Gideon. Manda o resto para casa!


8Gideon, fez recolher todos os jarros de barro e as trombetas que havia entre
eles, e enviou-os para casa, ficando apenas com os tais trezentos.

9Nessa noite, com os midianitas ali acampados em baixo no vale, YAHU ULHÍM disse a
Gideon: Levanta-te. Manda formar os teus homens e ataca os midianitas, pois
farei com que os derrotes.

10-11No entanto, se houver em ti ainda algum receio,
desce primeiro ao acampamento inimigo; leva só contigo o teu ajudante Purá, se
quiseres; e escuta o que lá estão a dizer em baixo. Vais ver que isso te dará
muito alento e desejo de atacar!Ele pegou em Purá e desceu na escuridão até ao
limite do acampamento deles, junto das sentinelas mais avançadas do inimigo.


12Ali se encontravam todos aqueles vastos exércitos de Midiã, de Ameleque e das
outras nações orientais, concentrados por todo o vale, numa multidão compacta
que lembrava uma praga de gafanhotos, dava até a ideia da areia da praia; e
eram incontáveis os seus camelos!

13Gideon rastejou em direção a uma das
tendas; quando lá chegou junto, acabava de acordar um dos homens, o qual tinha
tido um pesadelo e contava-o ao camarada: Sonhei com uma coisa muito estranha,
estava ele a dizer, era um grande pão de cevada que vinha rolando lá de cima
sobre o nosso campo, caía em cima das tendas e deitava-as todas abaixo!

14O outro soldado respondeu-lhe: Podes ter a certeza de que esse teu sonho só pode
ter um significado. É Gideon filho de Ya-ósh, o Yashorulíta, que vai vir
massacrar todas as forças aliadas de Midiã!

15Quando Gideon ouviu aquilo, tanto
o sonho como a interpretação, louvou YAHU ULHÍM. Após o que regressou para
junto dos seus homens e gritou-lhes: Todos de pé! YAHU ULHÍM vai usar-vos para
derrotar estes grandes exércitos de Midiã!

16-18Dividiu os trezentos soldados em três grupos, deu a cada um dos homens uma trombeta e um jarro de barro com uma tocha acesa dentro. Depois explicou-lhes o seu plano. Quando chegarmos às primeiras sentinelas do campo inimigo façam todos como eu. Assim que me ouvirem a mim e aos que estão comigo soprarmos nas trombetas, devem fazer o mesmo em toda a volta do acampamento e gritem assim: Combatemos por YAHU ULHÍM e por Gideon!

19-20Passava pouco da meia-noite e da altura do render das sentinelas,
quando Gideon e os cem que ficaram com ele rastejaram até ao limite do campo
dos midianitas. Subitamente sopraram nas trombetas; logo a seguir partiram os
jarros de forma que as luzes que ardiam lá dentro brilharam na noite. Os outros
duzentos fizeram imediatamente o mesmo, soprando as trombetas com a mão direita,
levantando as tochas acesas com a outra, e todos gritando. Uma espada pelo YAHU
ULHÍM e por Gideon!

21-22Ficaram-se assim a ver o que acontecia; todo aquele
imenso exército inimigo começou a andar às voltas sem tino, gritando de pânico
e desatando a fugir. Naquela confusão toda, YAHU ULHÍM fez com que as tropas
inimigas começassem a lutar entre si, matando-se uns aos outros, e isto duma
ponta à outra do acampamento; muitos conseguiram fugir, correndo até Beth-Sita
perto de Zerará, e até à entrada de Abúl-Meolá acima de Tabate.

23-25Gideon mandou mensageiros às tropas de Neftali, de Oshór e de Menashé para que os perseguissem, e destruíssem aquela gente toda do exército de Midiã que fugia.
Mandou igualmente mensageiros pelas colinas de Efroím, convocando tropas para
que tomassem os baixios do Yardayán, em Beth-Bará, a fim de evitar que os
midianitas passassem ali a pé para o outro lado e escapassem. Orebe e Zeebe,
dois generais midianitas, foram capturados. Orebe foi morto numa rocha agora
conhecida pelo seu nome, e Zeebe foi morto no lagar de Zeebe, tal como também é
conhecido hoje em dia. Os Yashorulítas pegaram nas cabeças dum e doutro,
atravessaram o Yardayán e trouxeram-nas a Gideon.

 

SHOFTIM 8

 

Gideon persegue dois reis

 

1Os chefes tribais de Efroím ficaram muito
contrariados contra Gideon. Porque é que não nos mandaste chamar quando foste
lutar contra os midianitas?, perguntaram.

2-3Gideon respondeu-lhes:  YAHU ULHÍM permitiu que fossem vocês a
capturar Orebe e Zeebe, os generais do exército midianita. Que fizemos nós em
comparação com isso? As vossas acções na parte final do combate foram muito
mais importantes do que as nossas no princípio! E foi assim que os outros se
acalmaram.

4-5Gideon, entretanto, tinha atravessado o Yardayán com os seus trezentos
homens. Estavam todos muito cansados, mas continuavam sempre a perseguir os
inimigos. E pediram alimentos à gente de Sukkós: Estamos esgotados de energias,
por causa de andarmos a perseguir Zeba e Zalmuna, os reis de Midiã.

6Contudo os líderes de Sukkós retorquiram-lhes: Vocês ainda não conseguiram apanhá-los! Se vos dermos alimento e se vocês não chegarem a capturá-los, vai acontecer que eles voltarão e nos liquidarão.

7Ao ouvir isto Gideon avisou-os: Pois então, quando YAHU ULHÍM os entregar nas nossas mãos, regressarei aqui e hei-de rasgar a vossa carne com espinhos e abrolhos do deserto.

8-9Depois foi-se a Panu-Ul e pediu ali alimento, mas obteve a mesma resposta. A estes disse também: Quando toda a campanha acabar, tornarei aqui e derrubarei esta torre.

10Por esta altura esses tais reis midianitas, Zeba e Zalmuna, encontravam-se em Carcor com um resto de uns quinze mil soldados das suas tropas. Era aliás tudo o que
restava daqueles exércitos aliados do oriente, pois que cento e vinte mil
tinham já sido mortos.

11-14Então Gideon contornou a zona em que estavam os
fugitivos indo pelo caminho das caravanas, a oriente de Noba e de Yogbea,
caindo de surpresa sobre aquele resto do exército midianita, que não estava a
contar com o ataque. Os dois reis fugiram mas Gideon perseguiu-os e
capturou-os, derrotando o exército inteiro. Algum tempo depois, Gideon
regressou pelo caminho de Heres. Ali prendeu um moço de Sukkós e disse-lhe que
escrevesse os nomes dos setenta e sete chefes políticos e religiosos da cidade.


15Após isso regressou a Sukkós, e disse àquela gente: Vocês escarneceram de
mim, dizendo que eu nunca haveria de apanhar os reis Zeba e Zalmuna e
recusaram-me alimento numa altura em que estava extenuado e debilitado pela
fome. Pois bem, eles aqui estão!

16-17Então, pegou nos chefes da cidade,
deu-lhes uma lição, com espinhos e abrolhos. Foi também a Panu-Ul e deitou
abaixo a torre da cidade, matando toda a população.

18Gideon perguntou a esses
reis, Zeba e Zalmuna: A gente que vocês mataram em Tabor, como é que eram
eles?Vestiam como tu, como filhos de reis!

19Pois eram certamente os meus irmãos!, exclamou Gideon. Podem ter a certeza de que não vos mataria se não lhes tivessem tirado a vida. 20Seguidamente, voltando-se para Yoter, seu filho mais velho, mandou que os matasse. No entanto o rapaz, que ainda era novinho, teve receio.

21Zeba e Zalmuna disseram a Gideon: Mata-nos tu mesmo. Preferimos
morrer às mãos dum homem! E então Gideon matou-os e guardou para si os
ornamentos que estavam nos pescoços dos camelos deles.

 

O éfode de Gideon

 

 

22Os homens de Yashorúl pediram-lhe que
fosse o seu rei: Que tu, os teus filhos e todos os teus descendentes sejam quem
nos há-de reger, pois que nos salvaste dos midianitas.

23-24Mas a resposta de Gideon foi: Eu não serei o vosso rei, nem tão pouco o meu filho. YAHU ULHÍM, sim, é o vosso rei! No entanto pretendo fazer-vos um pedido: dêem-me todos os pendentes das orelhas dos nossos inimigos, que vocês guardaram por despojo.
Porque as tropas midianitas, sendo Ishmaulítas como eram, traziam pendentes de
ouro.

25-27De boa vontade o faremos! E logo estenderam ali uma capa onde toda a
gente foi pôr os pendentes que tinha guardado. O valor total daquilo foi
calculado nuns vinte quilos de ouro, sem contar os crescentes, as cadeias, os fATOS
reais em púrpura e os ornamentos dos pescoços dos camelos. Gideon fez um éfode
de todo esse ouro e pô-lo em Ofra, a sua própria cidade. Em breve Yashorúl
inteiro começou a prestar adoração àquilo. Foi uma coisa muita má que Gideon e
a sua família fizeram.

 

A morte de Gideon

 

28-32Esta é pois a narrativa de como Midiã
foi subjugado por Yashorúl. Os midianitas nunca mais levantaram a cabeça, e a
terra permaneceu em paz por quarenta anos – ou seja, todo o tempo de vida de
Gideon. Este viveu sempre na sua própria casa, chegou a ter setenta filhos,
pois que teve muitas mulheres. Teve igualmente uma concubina em Siquem, que lhe
deu um filho de nome Abimeleque. Quando faleceu era velho, já muito velho, e
foi posto no sepulcro do seu pai Ya-ósh em Ofra, na terra dos abiezritas.


33-35No entanto, logo que Gideon morreu, os Yashorulítas começaram a adorar os
ídolos de Baal e de Baal-Berite. Deixaram de considerar YAHU ULHÍM como o seu YAHU
ULHÍM, ainda que tivesse sido ele quem os salvou de todos os seus inimigos ao
redor. Tão pouco mostraram bondade alguma para com a família de Gideon, apesar
de tudo o que este fez por eles.

 

SHOFTIM 9

 

Abimeleque é feito rei

 

1Um dia, o filho de Gideon, Abimeleque, veio
visitar os tios – os irmãos da sua mãe – em Siquem. 2Vão falar com os líderes
de Siquem, pediu ele, e perguntem-lhes o que preferem, se serem governados por
setenta reis – que são os filhos de Gideon – ou se por um só homem, ou seja,
eu, que sou da vossa carne e do vosso sangue.

3-6Os tios assim fizeram; foram ter com os chefes da cidade e expuseram-lhes a proposta de Abimeleque. Decidiram então que, sendo a mãe dele uma filha da cidade, eles segui-lo-iam. Deram-lhe dinheiro das ofertas do Templo do ídolo de Baal-Berite, e com ele contratou uns quantos indivíduos, de baixa condição, que faziam tudo o que lhes mandava. Levou-os à casa do seu pai em Ofra, e ali, sobre uma pedra, matou
todos os seus setenta meio-irmãos, com excepção do mais novo, Yatam, que
conseguiu escapar e esconder-se. Então os cidadãos de Siquem e os de Beth-Milo
convocaram toda a gente para se reunir sob o carvalho, junto à guarnição
militar de Siquem, e ali foi Abimeleque aclamado rei de Yashorúl.

7-9Quando Yatam ouviu isto, pôs-se no cimo do monte Gerizim e gritou para a gente de Siquem: Se pretendem ser abençoados por YAHU ULHÍM, escutem-me. Um dia, as árvores decidiram eleger um rei. Primeiro pediram à oliveira, mas ela recusou: ‘Haveria
eu de deixar de produzir azeite que serve para honrar YAHU ULHÍM e abençoar o
homem, só para me pôr aí a abanar de um lado para o outro, sobre as outras
árvores?’, perguntou ela.

10-11Seguidamente foram ter com a figueira e fizeram
a mesma proposta: Queres governar-nos? Mas também ela recusou: ‘Porque razão
havia eu de parar de produzir figos doces, apenas para ter a possibilidade de
levantar a cabeça acima das outras árvores?’

12Então foram ter com a videira:
‘Vem reger-nos!’ E a resposta desta foi também assim:

13’Não vou parar de produzir vinho, que alegra tant YAHU ULHÍM como os homens, só para ter poder acima das outras!’

14Então as árvores todas voltaram-se para o espinheiro: ‘És
tu quem será o nosso rei!’

15E o espinheiro respondeu: ‘Se realmente me querem,
venham e submetam-se docilmente sob a minha sombra. Se recusarem, que saia fogo
de mim que reduza a cinzas os grandes cedros do Lebanon!’

16-20Portanto agora, vejam bem se agiram correctamente ao fazer de Abimeleque o vosso rei, e se se estão a conduzir honestamente para com Gideon e todos os seus descendentes. Porque o meu pai lutou por vocês e arriscou a sua vida para vos livrar dos
midianitas, e apesar disso revoltaram-se contra ele e mataram-lhe os setenta
filhos sobre uma rocha, acabando por escolher para rei o filho da sua escrava,
Abimeleque, apenas porque é vosso parente. Se têm a certeza de ter feito o que
é justo para com Gideon e os seus descendentes, então que tenham, tanto vocês
como Abimeleque, uma longa vida, felizes todos juntos. Mas caso contrário, se a
vossa conduta não foi a que deveria ter sido para com Gideon, então que saia fogo
de Abimeleque e consuma os cidadãos de Siquem e de Beth-Milo. E que saia fogo
destes cidadãos e consumam Abimeleque!

21-27Yatam fugiu e passou a viver em Beer, com receio do seu irmão Abimeleque. Três anos mais tarde YAHU ULHÍM fez despertar um conflito entre o rei Abimeleque e os cidadãos de Siquem, os quais se revoltaram. Através dos acontecimentos que se seguiram, tanto Abimeleque como os homens de Siquem que o ajudaram na sua carnificina contra os filhos de Gideon foram castigados por esses assassínios. Os de Siquem armaram uma emboscada a Abimeleque, no cimo da montanha, no caminho que por lá passa. E enquanto o esperavam, iam assaltando e roubando qualquer pessoa que por ali passasse. No entanto alguém foi avisar Abimeleque do que estavam a urdir contra ele. Por essa altura, Gaal, filho de Ebede, mudou-se para Siquem com os seus
irmãos e tornou-se um dos chefes da cidade. Durante a celebração das colheitas
em Siquem naquele ano, realizada no Templo do idolo local, o vinho abundou e
toda a gente bebeu livremente, começando as pessoas a amaldiçoar Abimeleque.


28-29Quem é esse Abimeleque, gritou Gaal, e por que é que ele havia de ser
nosso rei? Qual a razão porque havemos de ser seus servos? Ele, mais o seu
amigo Zebul, é que deviam ser os nossos servos. Morra Abimeleque! Façam-me
vosso rei e verão o que em breve acontecerá a Abimeleque! Mandar-lhe-ei um
ultimato: ‘Junta um exército e vem combater comigo!’

30-33Mas quando Zebul, o governador de Siquem, ouviu o que Gaal estava a dizer, ficou furioso. Mandou logo mensageiros ter com Abimeleque em Aruma, dizendo-lhe: Gaal, filho de Ebede, veio viver aqui para a cidade, acompanhado da família, e agora está a fomentar a insurreição da população contra ti. Vem de noite com um exército e esconde-te nos campos; pela manhã, logo que o dia desponte, cai sobre a cidade. Quando ele e os que o acompanham vierem ao teu encontro, poderás fazer-lhes o que melhor te parecer!

34-35E assim foi que Abimeleque com a sua gente se chegaram de
noite, se repartiram em quatro e se puseram à volta da cidade. Pela manhã, na
altura em que Gaal se punha à porta da cidade, deliberando sobre diversos
assuntos locais com os outros dirigentes, Abimeleque com os seus homens
avançaram contra a cidade.

36Quando Gaal os viu, exclamou para Zebul: Olha ali
para cima, para aquela elevação! Não te parece que é gente que vem a
descer?Não!, disse Zebul. O que estás a ver são sombras que te parecem ser
pessoas.

37Olha que não. Repara bem; estou certo que é gente que vem contra
nós. Aliás vêm ali mais, pelo caminho do carvalho de Meonenim!

38Nessa altura Zebul voltou-se triunfantemente para ele e disse: E agora, onde é que está aquela tua fanfarronice? Onde está aquele que perguntava quem era Abimeleque e
porque razão seria ele nosso rei? As pessoas, de quem escarnecias e que
amaldiçoavas, estão aí a chegar à cidade. Vai ao encontro deles e luta!


39-41Gaal assim fez. Levou os homens de Siquem ao combate e bateu-se contra
Abimeleque; contudo foi derrotado, tendo ficado no campo de batalha muitos
feridos de Siquem, parte dos quais iam-se deixando ficar pelo caminho de
regresso até à cidade. Abimeleque estava pois a viver nessa altura em Aruma.
Zebul expulsou Gaal e os seus parentes da cidade, não permitindo mais que
ficassem a viver ali.

42-45No dia seguinte os habitantes de Siquem tentaram
novamente travar combate com os outros. No entanto alguém avisou previamente
Abimeleque daquele plano. Este dividiu os seus homens em três grupos, que se
esconderam pelos campos. E quando os de Siquem sairam ao ataque, os outros
saltaram dos seus esconderijos e caíram-lhe em cima, começando a matá-los.
Abimeleque, mais os do seu grupo, correram para a entrada de Siquem para
impedir que os adversários viessem refugiar-se lá. Os outros dois grupos
liquidaram-nos ali no campo. Mas a luta ainda se prolongou pelo dia todo, antes
que Abimeleque pudesse tomar conta da cidade, matasse os habitantes e a
deixasse em ruínas.

46O povo da localidade vizinha de Migdal viu o que
acontecera e foi refugiar-se num forte que havia perto do Templo de
Baal-Berite.

47-49Quando Abimeleque tomou conhecimento disso, mandou a sua
gente acompanhá-lo ao monte Zalmom, onde começou a cortar e a juntar lenha e
que transportou depois aos ombros. Façam depressa como eu, disse-lhes
Abimeleque. Cada homem trouxe assim um fardo de lenha que veio depositar junto
da fortaleza, seguindo o exemplo do seu chefe, fazendo uma pilha encostada às
muralhas e pegando-lhe fogo. Dessa maneira todo o povo que lá estava no
interior acabou por morrer; eram perto dum milhar de homens e mulheres.


50-53Abimeleque, de seguida, atacou a povoação de Tebez e capturou-a. Havia
dentro da própria povoação um fortim, e a população fugiu para lá,
barricando-se no interior e subindo para o terraço para ver o que se passaria.
Abimeleque preparava-se para fazer o mesmo que aos outros e matá-los pelo fogo;
mas uma mulher lançou lá de cima uma mó sobre ele que lhe esmagou o crânio.


54Ainda com vida pôde gritar: Mata-me!, exclamou para o seu moço de armas. Que
não se venha a dizer que foi uma mulher quem matou Abimeleque! Por isso o moço
o trespassou com a espada e ele morreu.

55Quando a sua gente o viu morto,
resolveram todos voltar para as suas casas.

56-57Assim YAHU ULHÍM castigou tanto Abimeleque como os habitantes de Siquem por causa do assassínio dos filhos de Gideon, que eram setenta. Desse forma se cumpriu a maldição de Yatam, o filho de Gideon.

 

SHOFTIM 10

 

Tola

 

1-2Após a morte de Abimeleque, o juiz
seguinte que chefiou Yashorúl foi Tola, filho de Puva e neto de Dodo da tribo
de Ishochar, mas que vivia na cidade de Samir, nas colinas de Efroím. Foi juiz
de Yashorúl durante vinte e três anos. Quando morreu foi enterrado em Samir.

 

Ya-éyr

 

3-5Sucedeu-lhe Ya-éyr, um homem de Gaúliod,
que julgou Yashorúl por vinte e dois anos. Os seus trinta filhos deslocavam-se
sempre montados sobre jumentos; cada um deles governava uma cidade na terra de
Gaúliod, e que ainda são conhecidas por cidades de Ya-éyr. Quando morreu, Ya-éyr
foi enterrado em Camom.

 

 

Yaptákh

 

6-10O povo de Yashorúl voltou a afastar-se de YAHU UL e a adorar os falsos criadores o estatuas dos pagãos, Baal e Astarote, assim como os falsos criadores o estatuas de Syria, de Sidom, de Moabe, de Amom e da Filístia. E não contentes, puseram ainda de lado o culto a YAHU ULHÍM, o qual ficou irado contra o seu povo; pelo que imediatamente permitiu aos Palestinos e aos amonitas que começassem a atormentá-los. Estes ataques tiveram lugar não só a oriente do rio Yardayán, na terra dos amorreus, ou seja em Gaúliod, mas também em YAHUDAH, em Benyamín e Efroím, pois que os amonitas não tinham dúvidas em atravessar o Yardayán para assediar os Yashorulítas. E esta situação prolongou-se por dezoito anos. Até que os Yashorulítas se
voltaram para YAHU ULHÍM novamente e imploraram-lhe que os salvasse. Pecámos
contra ti; esquecemo-nos de ti como nosso YAHU ULHÍM e adorámos ídolos,
confessaram.

11-14Mas YAHU ULHÍM respondeu-lhes: Não fui eu mesmo quem vos
salvou dos egípcios, dos amorreus, dos amonitas, dos Palestinos, dos sidónios,
dos amalequitas e dos amonitas? Houve porventura alguma vez em que vocês tenham
clamado a mim e eu vos não tenha livrado? Mesmo assim continuam a pôr-me de
lado e a adorar outros falsos criadores o estatuas. Por isso agora continuem
como estão; vão-se embora, pois não vos salvarei mais. Vão dirigir preces a
esses novos falsos criadores o estatuas que arranjaram. Que eles vos salvem
agora dessa vossa angústia.

15Mas continuaram a insistir e a implorar: Sim, nós
sabemos que pecámos. Castiga-nos como melhor entenderes, mas em todo o caso salva-nos uma vez mais dos nossos inimigos!

16Então destruíram os falsos criadores o
estatuas estranhos que tinham, e passaram a adorar somente YAHU ULHÍM, o qual
ficou sensibilizado perante a miséria deles.

17Os batalhões dos amonitas tinham
sido mobilizados e reunidos em Gaúliod, preparando-se para um ataque ao
exército de Yashorúl em Mizpá.

18Quem vai comandar as nossas tropas contra os
amonitas?, perguntavam-se uns aos outros os chefes de Gaúliod. Quem se
apresentar voluntariamente será o nosso rei.

 

SHOFTIM 11

 

1-2Acontecia que Yaptákh era um valente
soldado da terra de Gaúliod, mas a mãe era uma meretriz. O pai, que se chamava
Gaúliod, tinha várias filhos da legítima mulher. Quando se tornaram crescidos,
estes meio-irmãos de Yaptákh expulsaram-no da região: És filho duma prostituta!
Não herdarás nada do nosso pai.

3Por isso Yaptákh fugiu dali e passou a viver
na terra de Tobe. Em breve juntou à sua volta toda uma banda de gente marginal
que passou a movimentar-se com ele.

4-7Foi por esse tempo que os amonitas iniciaram a guerra contra Yashorúl. Os líderes de Gaúliod decidiram ir buscar Yaptákh, pedindo-lhe que viesse comandar as forças militares contra os amonitas. No entanto Yaptákh respondeu-lhes: Por que é que me mandam buscar se me odeiam e me expulsaram da casa do meu pai? Agora que estão em dificuldades é que vêm à minha procura?

8É porque precisamos de ti, replicaram-lhe. Se aceitares ser o nosso comandante contra os amonitas, fazemos-te rei de Gaúliod.


9Como é isso!, exclamou Yaptákh. Vocês estão a contar que eu acredite numa
coisa dessas?

10Mas nós juramos-te que será assim. Prometemos-te isso sob
solene juramento.

11-13Yaptákh aceitou a proposta e foi feito comandante chefe.
Esse contrato foi ratificado perante YAHU ULHÍM em Mizpa, numa assembleia geral
a que assistiu todo o povo. Então Yaptákh enviou mensageiros ao rei de Amom,
inquirindo das razões porque Yashorúl estava a ser atacado. E a resposta que
deram é que aquela terra pertencia ao povo de Amom; tinha-lhes sido roubada –
disse o rei amonita – quando os Yashorulítas vieram do Egito. Todo aquele
território, desde o rio Arnom até Yaboque e até ao Yardayán, era seu – clamou
ele. Devolvam-nos a nossa terra pacificamente, pediu o rei amonita.


14-22Yaptákh respondeu-lhe: Yashorúl não roubou nada. O que aconteceu foi isto:
Quando o povo Yashorulíta chegou a Cades, vindo do Egito, depois de ter
atravessado o Mar Vermelho, foi enviada uma mensagem ao rei de Edom pedindo-lhe
licença para atravessar o seu território. Mas ele recusou autorização. Então
pediram licença semelhante ao rei de Moabe. E aconteceu o mesmo com este. Por
isso o povo de Yashorúl teve de ficar em Cades. Finalmente resolveram rodear
Edom e Moabe, através do deserto, viajando ao longo da fronteira oriental
deles, chegando enfim ao rio Arnom, para além dos limites de Moabe. Mas nunca
chegaram a atravessar Moabe. Então Yashorúl enviou mensageiros ao rei Siom dos
amorreus, que vivia em Hesbom, e pediu-lhe autorização para atravessar a sua
terra a fim de atingirem o seu destino. No entanto o rei Siom não confiou em Yashorúl,
antes mandou mobilizar um exército, fê-lo concentrar-se em Yaza e atacou-os. YAHU
ULHÍM, nosso Criador Eterno ajudou Yashorúl a derrotar o rei Siom e todo o seu
povo. Foi por essa razão que Yashorúl se apoderou da terra que vai do rio Arnom
até Yaboque, e do deserto até ao rio Yardayán.

23-27Como vês, foi YAHU ULHÍM o Criador Eterno de Yashorúl quem tirou esse território aos amorreus e o deu a Yashorúl.
Porque é que havíamos então de vos devolver isso? Vocês guardam bem tudo o que
o vosso idolo Quemós vos dá, e nós guardaremos tudo o que YAHU ULHÍM o nosso YAHU ULHÍM nos dá! Além disso, quem pensam vocês que são? Julgam-se melhores do que o rei Balaque de Moabe? Tentou ele recuperar a terra que Yashorúl lhe
conquistou, depois de o derrotar? Sabem bem que não. E agora, ao fim de
trezentos anos vêm levantar um conflito por causa disto! Yashorúl tem vivido
aqui, espalhou-se por toda a terra, desde Hesbom até Aroer e ao longo de todo o
rio Arnom. Porque não fizeram anteriormente uma tentativa para retomarem aquilo
que reclamam? Não, não somos nós que estamos em falta contra vocês. São antes
vocês que nos hostilizaram, declarando-nos guerra. Mas em breve YAHU ULHÍM, o
supremo juiz, revelará quem de nós está na razão – se Yashorúl, se Amom. 28O
rei de Amom nem sequer ligou à mensagem de Yaptákh.

29Foi então que o RÚKHA de YAHU UL veio sobre Yaptákh, e conduziu o seu exército através de Gaúliod e de Menashé, ainda para além de Mizpa em Gaúliod, e atacou o exército de Amom.


30-31Entretanto Yaptákh tinha formulado uma promessa que era: se YAHU ULHÍM
ajudasse Yashorúl a vencer os amonitas, então quando voltasse para casa
qualquer pessoa que lhe saísse ao encontro seria sacrificada a YAHU ULHÍM como
holocausto.

32-33Yaptákh levou os seus soldados contra os amonitas e YAHU ULHÍM
deu-lhe a vitória, tendo-os liquidado com uma terrível matança por todo o
caminho desde Aroer até Minite, incluindo vinte povoações que foram destruídas
nessa zona que atingiu mesmo a campina das Vinhas. Desta forma os amonitas
ficaram subjugados ao povo de Yashorúl.

34-35Quando Yaptákh regressou a casa, a
sua filha – e ele não tinha outro filho – veio a correr ao seu encontro,
tocando uma pandeireta e dançando de alegria. Mas ele, quando a viu, rasgou as
vestes que trazia, em sinal de profunda angústia. Ai, minha filha!, gritou.
Deste cabo de mim agora! Porque fiz um voto a YAHU ULHÍM e não posso voltar
atrás.

36-37Ela respondeu.  YAHU ABí,
deves fazer conforme tudo o que prometeste a YAHU ULHÍM porque ele deu-te uma grande vitória sobre os inimigos, os amonitas. Mas deixa-me ir para as colinas e andar
por lá durante dois meses com as minhas amigas, chorando o fato de nunca mais
casar.

38-40Pois sim, vai. E foi o que ela fez, lamentando assim o seu destino,
na companhia das companheiras, pelo espaço de dois meses. Após o que regressou
junto do pai, o qual fez conforme o seu voto. Ela nunca mais casou. Foi na
sequência disso que se tornou um costume em Yashorúl que as raparigas vão por
quatro dias em cada ano lamentar o destino da filha de Yaptákh.

 

SHOFTIM 12

 

Efroím contra Yaptákh

 

1Então a tribo de Efroím mobilizou a sua
tropa, reuniu-a em Zafom e mandou uma nota a Yaptákh: Porque é que não nos
chamaste para te ajudarmos quando foste combater contra os amonitas? Por isso
agora vamos queimar-te a casa, contigo dentro!

2-3Eu convoquei-vos, mas vocês é
que recusaram vir!, retorquiu Yaptákh. Foram vocês quem recusou vir ajudar-nos
quando precisávamos, e por essa razão pus a minha vida em risco indo combater
sem vocês, e YAHU ULHÍM ajudou-me a derrotar os adversários. Há alguma
justificação para que agora venham contra mim?

4-6Então Yaptákh, furioso também pelo fato de Efroím ter insultado a ente de Gaúliod, considerando-os como meros marginais, mobilizou os seus homens e atacou a tropa de Efroím. Ocupou os baixios do Yardayán na retaguarda deles e quando um fugitivo de Efroím tentava escapar através do rio, a sentinela de Gaúliod perguntavam-lhe: És membro da tribo de Efroím? Se respondia que não, então mandavam-lhe dizer a palavra Chibolete. Se ele dizia Sibolete, porque não era capaz de a pronunciar
correctamente, pegavam nele e matavam-no. Ao todo morreram quarenta e duas mil
pessoas de Efroím nessa ocasião.

7Yaptákh foi juiz em Yashorúl durante seis
anos. Quando morreu enterraram-no numa das cidades de Gaúliod.
Ibzã, Elom e Abdom

 Formatação e Revisão

8-10O juiz seguinte chamavam-se Ibzã, o qual
vivia em Beth-Lékhem. Tinha sessenta filhos, trinta rapazes e trinta meninas.
As raparigas, casou-as fora do seu clã; e trouxe trinta moças para casar com os
filhos. Chefiou Yashorúl por sete anos. Na sua morte foi enterrado em
Beth-Lékhem. 11-12Depois seguiu-se-lhe Elom, de Zabulón. Governou Yashorúl por
dez anos e está enterrado em Ayalon, na terra de Zabulón. 13-15Sudeceu-lhe
Abdom, filho de Hilel de Piratom. Tinha quarenta filhos e trinta netos que se
deslocavam montados em setenta jumentos. Foi juiz em Yashorúl por oito anos.
Está sepultado em Piratom em Efroím, nas colinas dos amalequitas.

 

SHOFTIM 13

 

O nascimento de Shamshón

 

1Mas Yashorúl mais uma vez pecou, pondo-se a
adorar falsos criadores o estatuas estranhos. Por isso YAHU ULHÍM permitiu que
fossem derrotados pelos Palestinos, que sujeitaram o povo por quarenta anos.
2-5Um dia o anjo de YAHU UL apareceu à mulher de Manoá, um homem da tribo de
Dayán, que vivia na cidade de Zora. Ela não tinha filhos mas YAHU ULHÍM
disse-lhe: Ainda que tenhas sido estéril durante tanto tempo, em breve
conceberás e terás um filho. Não bebas vinho nem outra bebida alcoólica
qualquer, nem comida alguma que não seja ritualmente pura. O cabelo do teu
filho nunca devera ser cortado, pois que será um nazireu de YAHU ULHÍM, mesmo
logo desde o nascimento; será ele quem começará a salvar Yashorúl dos
Palestinos. 6-7A mulher correu a contar isto ao marido: Um homem de YAHU ULHÍM
apareceu-me; penso que devera ter sido um anjo de YAHU UL, porque tinha uma
aparência gloriosa e ofuscante. Eu nem lhe perguntei donde é que ele era e ele
também não me disse sequer como se chamava, mas afirmou-me o seguinte: ‘Vais
ter um filho rapaz!’Mandou que não bebesse vinho nem qualquer outra bebida
alcoólica, e que não comesse nada que fosse impuro, porque o rapaz que hei-de
dar à luz será nazireu – dedicado a YAHU ULHÍM desde o seu nascimento até
morrer! 8Então Manoá orou assim: Ó YAHU ULHÍM, peço-te que o homem de YAHU
ULHÍM venha de novo ter connosco e nos dê mais instruções quanto ao filho que
nos vais dar. 9-10 YAHU ULHÍM respondeu à sua oração e o anjo apareceu
novamente à mulher quando estava sentada no campo. Ao ver que estava novamente
sozinha, sem o marido, foi chamá-lo a correr: Está ali outra vez o mesmo homem!
11Manoá acompanhou-a até junto do anjo e perguntou-lhe: És aquele que falou com
a minha mulher no outro dia?Sim, sou eu. 12Podes então dar-nos mais algumas
instruções acerca de como haveremos de criar o bebê depois dele nascer?,
perguntou Manoá. 13-14O anjo de YAHU UL respondeu: Tem muito cuidado em que a
tua mulher siga as instruções que lhe dei. Ela não deve comer produto da vinha,
nem beber vinho ou outra bebida alcoólica, nem tão pouco ingerir alimentos não
puros. 15Manoá então disse para o anjo: Por favor, fica aqui até que te
possamos trazer qualquer coisa para comer. 16-17Pois sim, ficarei. Mas não
comerei nada. Se desejam trazer alguma coisa, tragam um sacrifício a YAHU ULHÍM.
Manoá não se dava conta de que estava a falar com o anjo de YAHU UL. Então
perguntou-lhe como se chamava: Depois disso acontecer e do bebê nascer,
queremos dizer a toda a gente que foste tu quem o predisse! 18Não me perguntes
sequer pelo meu Shúam (Nome). É um nome misterioso. 19-21Então Manoá pegou num
cabrito, numa oferta de cereais e apresentou-a a YAHU ULHÍM como sacrifício. O
anjo nessa altura fez algo de maravilhoso, porque ao mesmo tempo que as chamas
se iam erguendo para o ar sob os olhos de Manoá e da sua mulher, ergueu-se com
as chamas até ao céu! Manoá e a mulher caíram com os rostos em terra e foi essa
a última vez que o viram. Manoá deu-se finalmente conta de que se tratava
verdadeiramente do anjo de YAHU UL. 22Vamos morrer, Manoá exclamou para a
mulher, pois que vimos YAHU ULHÍM! 23Se YAHU ULHÍM nos quisesse matar,
disse-lhe ela, não teria aceitado as nossas ofertas nem nos teria aparecido,
dizendo-nos assim estas coisas maravilhosas e fazendo estes milagres.
24-25Quando lhes nasceu o menino puseram-lhe o nome de Shamshón, e YAHU ULHÍM
abençoava-o à medida que ia crescendo. O RÚKHA de YAHU UL começou a
manifestar-se regularmente na sua vida, sempre que visitava os campos das
tropas de Dayán, entre as cidades de Zora e de Estaol.

 

SHOFTIM 14

 

O casamento de Shamshón

 

1-2Um dia em que Shamshón se encontrava em
Timna, reparou numa rapariga Palestina, e quando veio para casa disse ao pai e
à mãe que queria casar com ela. 3Eles opuseram-se firmemente: Porque é que não
casas com uma rapariga judia? Porque hás-de ir buscar uma moça desses
Palestinos pagãos? Será que não há entre todo o povo de Yashorúl uma rapariga
que te agrade e com quem possas casar?Mas Shamshón disse ao pai: Só ela é que
eu quero. Peçam-na para mim. 4O pai e a mãe não percebiam que era YAHU ULHÍM
que estava por detrás deste pedido; era YAHU ULHÍM preparando como que uma
armadilha aos Palestinos que nessa altura dominavam Yashorúl. 5-7Quando
Shamshón mais os pais iam a caminho de Timna, um leão ainda novo atacou
Shamshón, saltando sobre ele das vinhas, já perto da cidade. O RÚKHA de YAHU UL
apoderou-se fortemente dele e mesmo sem ter nada nas mãos abriu-lhe as
mandíbulas e fendeu-o, como se se tratasse dum cabritinho! Contudo nada disse
aos pais do que acontecera. Ao chegarem a Timna, foi falar com a moça e viu que
lhe agradava muito; por isso logo trataram do casamento. 8-9Quando voltou mais
tarde para as bodas, desviou-se do caminho para ver o que tinha sido feito do
corpo do leão morto. Lá estava a carcaça do animal, mas havia um enxame de
abelhas à volta e aquilo estava cheio de mel! Tirou um pouco do mel para levar
consigo e ir comendo enquanto caminhava, e deu também a comer ao pai e à mãe.
Mas não lhes disse onde o tinha obtido. 10-13Enquanto o pai estava a fazer os
últimos arranjos para o casamento, Shamshón fez uma celebração para a qual
convidou trinta jovens da cidade, como era costume fazer. Shamshón
perguntou-lhes a certa altura se queriam ouvir uma adivinha, ao que eles
anuiram: Se forem capazes de dar resposta à minha adivinha durante os sete dias
desta celebração, dar-vos-ei trinta lençóis e trinta fATOS. Caso contrário, se
não conseguirem encontrar a resposta, serão vocês a dar-me a mesma coisa!Está
certo! Venha de lá a adivinha. 14Era pois este o enigma que lhes apresentou:
Saiu comida do comedor, e doçura da fera. Três dias mais tarde ainda eles
estavam à procura de resposta à adivinha. 15No quarto dia disseram à noiva: Vê
lá se consegues que Shamshón diga a resposta, porque se não, lançamos fogo à
tua casa contigo dentro. Ou teremos sido nós convidados a esta celebração para
ficarmos a mendigar? 16Então a rapariga começou a debulhar-se em lágrimas à
frente dele dizendo: Tu não gostas de mim. Tu odeias-me, porque disseste uma
adivinha ao meu povo e não me dás a conhecer a mim a resposta!Mas é que eu não
disse a solução nem sequer aos meus pais; porque é que ta diria a ti?,
disse-lhe ele. 17-18Ela continuou a chorar sempre que estava com ele e
continuou naquilo o resto dos dias da celebração. Por fim, no sétimo dia ele cedeu
em dizer-lhe o que era a adivinha, e ela foi logo dizê-lo aos outros jovens.
Antes que o sol se pusesse nesse último dia, eles deram a resposta a Shamshón.
Que há mais doce que o mel, e mais feroz que um leão?Se vocês não tivessem
andado a lavrar com a minha novilha, não teriam sido capazes de encontrar
resposta!, retorquiu. 19-20Então o RÚKHA de YAHU UL veio sobre ele, foi à
cidade de Áshkelon, matou trinta homens, pegou na roupa deles e trouxe-a aos
rapazes que tinham sabido dar solução à adivinha. No entanto ficou furioso com
o que se passou e voltou para casa, continuando a viver com o pai e com a mãe.
A mulher acabou por casar com o rapaz que tinha servido de chefe de celebração
na boda.

 

SHOFTIM 15

 

A vingança de Shamshón sobre os Palestinos

 

1Mais tarde, durante a ceifa do trigo,
Shamshón trouxe um cabrito, ainda novo, como presente para a mulher de Timna,
com a intenção de passar a noite com ela. Mas o pai da rapariga não o deixou
entrar. 2Eu pensei que certamente a odiavas, explicou-lhe, por isso casei-a com
o teu companheiro, que tinha servido de chefe de celebração. Mas repara, a irmã
dela é mais nova e mais bonita. Casa antes com ela. 3Shamshón ficou furioso: Se
assim é, não me poderão censurar pelo que venha a fazer! 4-5Então retirou-se, apanhou
trezentas raposas, atou-lhes as caudas duas a duas e prendeu-lhes uma tocha.
Depois pegou fogo às tochas e largou as raposas nos campos dos Palestinos, o
que fez incendiar-se todo o trigo, mais os molhos já atados, assim como as
vinhas e os olivais. 6Quem foi que fez isto?, perguntavam os Palestinos.Foi
Shamshón, era a resposta, por causa do sogro ter dado a mulher a outro. Então
os Palestinos pegaram fogo à casa da rapariga que morreu, ela e o pai. 7Pois
agora vou vingar-me de vocês!, prometeu Shamshón. 8Então caiu sobre eles com
fúria e matou grande número deles. Após o que foi viver numa gruta na rocha de
Etã. 9Pelo seu lado os Palestinos enviaram uma vasta companhia de soldados
contra YAHUDAH e atacaram Lai. 10Porque é que estão a atacar-nos, perguntou a
população de YAHUDAH os Palestinos responderam: Pretendemos capturar Shamshón e
fazer-lhe tanto como nos fez a nós. 11Dessa forma foram mandados três mil
homens de YAHUDAH para apanhar Shamshón na rocha de Etã. Tu não vês como nos
estás a prejudicar?, perguntaram-lhe. Não te dás conta de que são os Palestinos
quem nos dominam?Mas Shamshón replicou-lhes: Eu apenas me vinguei daquilo que
me fizeram. 12-14Pois então nós viemos capturar-te e entregar-te aos
Palestinos.Está bem, mas prometam-me antes que vocês não me matarão.Com certeza
que não te faremos uma coisa dessas.Então amarraram-no com duas cordas novas e
mandaram-no seguir à frente deles. Quando chegaram a Lai, os Palestinos
gritaram de contentamento; mas nessa altura a força de YAHU UL apoderou-se de
Shamshón e rompeu com as cordas que o amarravam, que lhe caíram dos pulsos como
se fossem simples fios de linho já queimados pelo fogo! 15Pegou então na
queixada dum jumento que ali estava pelo chão e matou com ela um milhar de
Palestinos. 16-17Shamshón, na sua alegria, fez o seguinte poema:


Eles vão caindo uns sobre os outros, aos montões!Tudo com uma queixada
de jumento! Matei mil homens,tudo com uma queixada de jumento!

E aquele lugar até ficou conhecido como o
alto da Queixada. 18Depois, estando com muita sede, orou a YAHU ULHÍM: Deste a Yashorúl
uma vitória tão grande por meu intermédio hoje! Será que irei agora morrer de
sede e ficar à mercê destes pagãos? 19Então YAHU ULHÍM fez sair água duma
rocha. Shamshón bebeu e ficou com as forças renovadas. Em consequência passou a
chamar àquele lugar a Fonte daquele que Ora. Essa fonte ainda lá está hoje.
20Shamshón foi juiz de Yashorúl durante aproximadamente vinte anos. Mas os
Palestinos ainda controlavam a terra.

 

SHOFTIM 16

 

Shamshón e Delilah

 

1Um dia Shamshón foi a Gaza, cidade dos
Palestinos, e passou a noite em casa de uma meretriz. 2Depressa correu a
notícia de que fora visto na cidade. As autoridades foram alertadas e muita
gente decidiu ficar de noite espiando as saídas da cidade, a fim de o capturar
quando tentasse escapar. Pela manhã, pensaram eles, quando houver a luz do dia,
havemos de o encontrar e podemos matá-lo. 3Quando era meia-noite, Shamshón
levantou-se, veio para a rua, dirigiu-se à saída da cidade, pegou nos portões
juntamente com as ombreiras mais a tranca, levantou-os do chão, pô-los aos
ombros e levou-os até ao cimo da elevação que está defronte de Hebron. 4-5Mais
tarde apaixonou-se por uma rapariga chamada Delilah, lá para os lados do vale
de Soreque. Os cinco chefes dos Palestinos foram pessoalmente ter com ela,
pedindo que procurasse descobrir o que é que fazia de Shamshón um homem tão
forte, para que soubessem como vencê-lo, subjugá-lo e prendê-lo. Damos-te cada
um de nós mil e cem moedas de prata por esse serviço, prometeram. 6Então
Delilah começou a pedir a Shamshón que lhe dissesse o segredo da sua força. Por
favor, Shamshón, diz-me a razão porque és tão forte. Acho que ninguém seria
capaz de te capturar! 7Olha, disse-lhe ele, se me atarem com sete vergas de
vimes frescos, tornar-me-ia tão fraco como qualquer pessoa. 8Então
trouxeram-lhe as sete vergas, e enquanto dormia ela atou-o com aquilo. 9Uns
quantos homens esconderam-se no quarto contíguo, e após o ter atado, ela
gritou: Shamshón! Estão aqui os Palestinos para te atacarem! Ele partiu as
vergas como se fosse fio de estopa sobre fogo. E continuaram a ignorar o
segredo da sua força. 10Delilah insistiu: Estiveste a fazer pouco de mim!
Mentiste-me! Shamshón, diz-me, peço-te, como é que te podem capturar. 11Pois
bem, se eu for atado com cordas novas, que nunca tenham sido usadas, serei tão
fraco como qualquer outra pessoa. 12Então novamente, enquanto dormia, Delilah
atou-o com cordas novas. Os homens estavam no quarto ao lado como da outra vez.
E Delilah gritou: Shamshón! Os Palestinos vêm aí para te atacar! Ele logo
quebrou as cordas como meros fios. 13Tens estado todo este tempo a rires-te de
mim, e a mentires-me! Diz-me lá, Shamshón, como é que realmente te podem
prender.Escuta, se teceres os meus cabelos no teu tear… 14Enquanto ele
dormia, ela fez isso e gritou-lhe: Estão aí os Palestinos, Shamshón! Ele
despertou, arrancou o cabelo que estava preso, partindo o tear. 15Como podes tu
dizer que me amas, se não fazes confiança em mim? disse ela. Já por três vezes
que fazes pouco de mim, e ainda não me disseste onde está o teu segredo da tua
força! 16-17E dia após dia ela insistia de tal forma que, não podendo aguentar
aquilo mais tempo, ele lhe disse o seu segredo.O meu cabelo nunca foi cortado,
confessou, porque tenho sido um nazireu de YAHU ULHÍM, desde o meu nascimento.
Se o meu cabelo fosse cortado, perderia a força e tornar-me-ia igual a qualquer
outro. 18-20Delilah viu bem que desta vez ele lhe dizia a verdade, por isso
mandou chamar os chefes dos Palestinos: Venham já, só mais esta vez, porque
agora é que me disse tudo. Os outros vieram, trouxeram logo o dinheiro; ela
fê-lo adormecer com a cabeça no seu colo; disseram a um barbeiro para vir
cortar-lhe o cabelo. Delilah começou então a bater-lhe, mas via-se logo que já
não possuia a força que tinha antes. Ela gritou: Chegaram os Palestinos que vêm
para te capturar, Shamshón!Ele acordou e pensou consigo: Bom, farei como antes;
basta-me um pouco de força e fico livre. Mas ainda não tinha constatado que YAHU
ULHÍM o deixara. 21Então os Palestinos amarraram-no, esvaziaram-lhe os olhos,
levaram-no para Gaza, onde o prenderam com duplas cadeias de bronze e o faziam
mover uma mó para grãos, na prisão. 22Mas ao cabo de algum tempo, o cabelo
começou a crescer-lhe novamente.

 

A morte de Shamshón

 

23-26Os chefes Palestinos organizaram uma
grande celebração para celebrar a captura de Shamshón. O povo fez sacrifícios
ao seu idolo Dagom e louvavam-no: O nosso idolo entregou-nos o nosso inimigo,
Shamshón!, diziam eles com satisfação, olhando para ele na prisão. O flagelo da
nossa nação, que matou tantos de nós, está agora em nosso poder. A certa
altura, aquela gente, excitada, pediu: Tragam cá para fora Shamshón, para que
possamos rir como a sua figura!Ele foi tirado da cela e puseram-no no Templo,
entre os pilares que suportavam o tecto. Shamshón disse para o rapaz que o
levava pela mão: Deixa-me apalpar e ver onde estão as colunas, para que
descanse um pouco contra elas. 27Naquela altura o Templo estava repleto de
gente. Lá estavam igualmente os cinco reis dos Palestinos. Só no terraço havia
algumas três mil pessoas, pretendendo ver Shamshón com os seus próprios olhos,
a fazer palhaçadas diante deles. 28Então Shamshón orou a YAHU ULHÍM assim: Ó YAHU
ULHÍM o Criador Eterno, lembra-te de mim mais uma vez, dá-me novamente força,
para que possa fazer estes Palestinos pagarem-me a perda dos meus olhos.
29Shamshón abraçou as colunas e aplicou nelas toda a sua força. 30Que eu morra
com os Palestinos, foi a sua última frase. O Templo ruiu, soterrando o povo
todo, incluindo os cinco chefes deles. Os que matou só naquela ocasião, na sua
própria morte, foram mais do que os que matou em toda a vida. 31Mais tarde os
irmãos e outros parentes vieram buscar o corpo e foram-no enterrar entre Zora e
Estaol, onde o pai, Manoá, também estava sepultado. Tinha sido juiz em Yashorúl
por vinte anos.

 

SHOFTIM 17

 

Os ídolos do Mica

 

1Nas colinas de Efroím vivia um homem
chamado Mica. 2Um dia ele disse para a mãe: Aquelas mil e cem moedas de prata
que julgas terem-te roubado, tendo amaldiçoado o ladrão, fui eu quem as
tirou!Que YAHU ULHÍM te abençoe por teres confessado tal coisa. 3E assim lhe
devolveu o dinheiro. Eu quero dar este dinheiro a YAHU ULHÍM, para que seja
contado a teu favor, declarou ela. Vou mandar esculpir uma imagem e cobri-la de
prata. 4-6A mãe pegou então em duzentas das moedas, levou-as a um ourives, que
lhes fez um ídolo e que ela colocou num nicho em casa. Mica já tinha uma
colecção de ídolos, além de um éfode e de alguns terafins, e designou um dos seus
próprios filhos como intermediário. (Porque nesses dias Yashorúl não tinha rei,
de tal forma que cada qual fazia o que melhor parecia aos seus olhos.)
7-8Entretanto houve um levita da cidade de Beth-Lékhem em YAHUDAH que chegou
àquela região de Efroím, procurando um lugar onde se instalasse para viver.
Aconteceu passar ali pela casa de Mica. 9Donde vens?, perguntou-lhe Mica.Sou
levita, de Beth-Lékhem em YAHUDAH, e procuro lugar para viver. 10-12Fica aqui
comigo. Serás o meu intermediário e conselheiro. Dou-te cento e dez gramas de
prata por ano, mais roupa para te vestires e alimentação, além de um quarto. O
jovem aceitou e ficou a viver com Mica. Este consagrou-o como seu intermediário
pessoal. 13Agora tenho a certeza de que YAHU ULHÍM me abençoará, exclamou Mica,
porque tenho levita como intermediário!

 

SHOFTIM 18

 

A tribo de Dayán estabelece-se em Laís

 

1Não havia rei em Yashorúl, nesse tempo. A
tribo de Dayán estava ainda a tentar achar um território para se estabelecer,
visto que até à data não tinham expulso as gentes que viviam na terra que lhes
tinha sido consignada. 2Os homens de Dayán escolheram então cinco valentes
soldados das cidades de Zora e de Estaol, para, escondidamente, irem observar a
terra onde pensavam estabelecer-se. Chegados às colinas de Efroím ficaram na
casa de Mica. 3Reparando no sotaque da fala do jovem levita, tomaram-no à parte
e perguntaram-lhe: Que estás a fazer aqui? Porque é que vieste para cá? 4Ele
contou-lhes o contracto que tinha feito com Mica e que era presentemente o seu
intermediário pessoal. 5Então, disseram-lhe eles, pergunta a YAHU ULHÍM se a
nossa incursão será bem sucedida. 6Sim, tudo correrá bem. YAHU ULHÍM está a
tomar conta de vocês. 7-8E assim os cinco homens continuaram até à cidade de
Laís; ali repararam como toda a gente se sentia segura, confiante. Viviam à
maneira dos fenícios; era um povo próspero, pacífico, e nem sequer estava
preparado para a eventualidade de algum ataque do exterior, pois que naquela
área não havia gente bastante forte para o tentar. Estavam a grande distância
dos sidónios, com quem se aparentavam ainda, e tinham pouco ou nenhum contacto
com as povoações vizinhas. Daí os espias voltaram para os seus, em Zora e em
Estaol.Então, o que é que têm a contar-nos, perguntaram-lhes os outros. O que
foi que encontraram? 9-10Devemos atacar! Vimos uma terra que é perfeitamente o
que nos convémo- espaçosa, fértil, um território formidável, um verdadeiro
paraíso. O povo nem sequer está preparado para se defender! Vamos,
despachem-se! É YAHU ULHÍM quem já nos deu esta terra! 11Dessa forma,
seiscentos homens armados da tribo de Dayán partiram de Zora e de Estaol.
12-13Acamparam primeiro num lugar a ocidente de Kiryat-Yearim em YAHUDAH (que
ainda se chama hoje Campo de Dayán), e continuaram depois até às colinas de
Efroím. 14Ao passarem pela casa de Mica, os tais cinco soldados disseram aos
outros: Há ali um Templo, com um éfode, alguns terafins e muitos ídolos de
prata. Não devemos deixar de lá ir! 15-17Foi o que fizeram. Dirigiram-se à casa
e, com os soldados do lado de fora, saudaram o jovem intermediário. Depois os
cinco espias foram lá dentro, ao Templo, e começaram a pegar nos ídolos, no
éfode e nos terafins. 18Mas o que é que estão a fazer?, perguntou o
intermediário, quando viu que levavam tudo com eles. 19Sossega, vem connosco.
Serás intermediário de nós todos. Não é muito melhor para ti seres
intermediário de toda uma tribo do que só de um homem, numa casa particular?
20-21O moço intermediário, muito satisfeito com a ideia, acomodou tudo, o éfode,
os terafins e os ídolos. Assim retomaram o caminho, colocando as crianças, o
gado e os seus haveres à frente da coluna. 22-23Quando já se encontravam a uma
distância razoável da casa de Mica, viram este, mais uns vizinhos, correndo
atrás deles, gritando-lhes que parassem.O que pretendes tu, vindo assim a
correr atrás da gente?, perguntaram os de Dayán. 24Então vocês ainda me
perguntam o que é que eu pretendo depois de me levarem todos os meus falsos
criadores o estatuas, o meu intermediário e sem me deixarem nada! 25Tu tem mas
é cuidado com a maneira como falas. Pode alguém com ânimo exaltado atirar-se a
ti e matar-te. 26Os homens de Dayán continuaram o seu caminho. Quanto a Mica,
ao constatar que não se podia haver com eles, pois que eram muito numerosos, voltou
para casa. 27-29Os outros, na posse dos ídolos de Mica e do intermediário, lá
chegaram à cidade de Laís, que nem sequer tinha guardas; por isso foi só entrar
e começar a matança do povo, acabando por incendiar a cidade, deixando-a em
ruínas. Não houve ninguém que pudesse auxiliar aqueles habitantes, pois estavam
muito longe de Sidom e não tinham aliados na vizinhança, pois não se
relacionavam com ninguém. Isso aconteceu num vale perto de Beth-Reobe. O povo
de Dayán reconstruiu depois a cidade e ficou a viver ali. A localidade passou a
chamar-se Dayán, o nome do pai da tribo, filho de Yashorúl. No entanto (como já
foi referido) antes chamava-se Laís. 30Então instalaram os ídolos e designaram Yanaokhán,
filho de Gerson e neto de Mehushúa, mais os seus filhos, para serem
intermediários. Esta família manteve-se como intermediários até à altura em que
a cidade foi conquistada pelos seus inimigos. 31Portanto os ídolos de Mica
foram adorados pela tribo de Dayán todo o tempo que o tabernáculo permanceu em
Sheló.

 

SHOFTIM 19

 

O levita e a sua concubina

 

1Nesse tempo, em que ainda não havia rei em Yashorúl,
havia um homem da tribo de Leví, vivendo num extremo da região das colinas de
Efroím, que trouxe para sua casa uma rapariga de Beth-Lékhem para ficar a viver
com ele como concubina. 2-3Porém a certa altura ela abandonou-o por outro e
regressou para casa do pai, em Beth-Lékhem, lá ficando por uns quatro meses. O
marido pegou num criado e preparou-se para ir a Beth-Lékhem; aparelhou também
mais um jumento, que levou sem ninguém. O seu intuito era trazer a rapariga
para casa de volta. Quando chegou a casa dela, ela recebeu-o, apresentou-o ao
pai, e mostrou-se alegre de o tornar a ver. 4O pai pediu-lhe muito que ficasse
lá uns tempos, e ele aceitou, ficando três dias, mostrando-se satisfeitos de
estarem juntos. 5-8No quarto dia levantaram-se cedo, prontos para partir, mas o
pai insistiu para que tomassem ao menos o pequeno almoço antes da viagem.
Entretanto fez pressão sobre ele para que ficasse mais um dia, visto que tinham
passado uns bons tempos juntos. A princípio o levita recusou, mas o pai da moça
tanto fez que ele acabou por aceitar. Na manhã seguinte, tornaram a levantar-se
cedo e novamente o pai instou: Fiquem mais hoje, e partam esta tarde, ao fim do
dia. E foi mais um dia de celebração lá em casa. 9De tarde, quando o casal mais
o criado se preparavam para a viagem, chega-se outra vez o pai: Não vêem que já
é tarde. Fiquem mais esta noite. Fazemos um belo serão e amanhã cedo podem
iniciar a viagem. 10Mas desta feita o homem foi inflexível e partiram mesmo,
tendo chegado a YAHUSHUA-oléym (também chamada Yebus) já muito tarde. 11O
criado disse-lhe: Já é muito tarde para viajar; fiquemos aqui esta noite.
12-13Não. Não podemos ficar aqui numa cidade pagã, onde não há ninguém Yashorulíta.
Vamos continuar até Gibeá, ou mesmo se possível até Roéma. 14-15E assim
continuaram a viagem. O sol tinha-se posto há muito quando atingiram Gibeá, uma
povoação da tribo de Benyamín; por isso resolveram entrar e passar ali a noite.
Mas como ninguém os convidou para os recolher em casa, decidiram dormir ali
mesmo no meio da praça. 16Nessa altura chegou-se um homem idoso, que regressava
do trabalho no campo, a caminho de casa. Era originário das colinas de Efroím,
mas vivia agora em Gibeá, apesar daquele ser o território de Benyamín. 17Quando
viu aqueles viajantes assim acampados em plena praça, perguntou-lhes donde eram
e para onde iam. 18-19Estamos a caminho da nossa casa em Beth-Lékhem de YAHUDAH,
respondeu o levita. Vivo no extremo da região das colinas de Efroím, perto de
Sheló. Ficámos aqui porque ninguém fez o gesto de nos recolher para passar a
noite, ainda que tenhamos suficiente alimento para os nossos jumentos e comida
e vinho que baste para nós próprios. 20Não se preocupem. Vocês serão meus
hóspedes. Mas aqui é que não vão ficar. É demasiado perigoso. 21E assim
levou-os para casa. Deu de comer aos animais e depois foram todos juntos
jantar. 22Quando o ambiente começava a aquecer, na alegria daquele convívio, um
bando de gente pervertida começou a juntar-se em frente da casa, batendo na
porta, gritando para o velho dono da casa que trouxesse para fora o homem que
estava com eles, para que o levassem. 23O homem idoso veio cá fora falar com
eles: Não, meus irmãos, não façam um tal acto de tamanha loucura! Ele é meu
hóspede. Ouçam. 24Levem a minha filha, que é virgem, e a mulher dele. Trago-as
aqui e façam delas o que quiserem, mas não levem por diante uma coisas dessas
com este homem. 25-26Os outros contudo não aceitaram. Então o levita trouxe a
sua concubina para fora, e empurrou-a para junto deles; aquela gente abusou
dela a noite inteira; pela madrugada deixaram-na. Ela arrastou-se até à entrada
da casa e ali ficou até o dia clarear. 27Quando o levita ia a abrir a porta
para seguir viagem, viu-a caída, com as mãos sobre o limiar da moradia.
28Levanta-te, disse-lhe, vamos embora.Mas não obteve resposta; estava morta.
Então pô-la sobre o jumento e levou-a para casa. 29-30Chegado ao seu destino
pegou num cutelo, partiu o corpo em pedaços, e enviou um pedaço a cada uma das
tribos de Yashorúl. A nação inteira ficou escandalizada. Nunca se ouviu falar
em tal crime, desde que Yashorúl saiu do Egito, dizia toda a gente. Temos de
fazer qualquer coisa.

 

SHOFTIM 20

 

Os Yashorulítas lutam contra os Benyamitas

 

1Assim toda a nação de Yashorúl, através dos
seus chefes, conseguiu reunir uma tropa de quatrocentos mil homens, que se
juntaram numa só vontade perante YAHU ULHÍM em Mizpá. 2Vinham de toda a parte,
desde Dayán até Beer-Shéva, e mesmo do outro lado do Yardayán da terra de
Gaúliod. 3A notícia daquela mobilização geral em Mizpá depressa chegou aos
ouvidos do povo de Benyamín. Entretanto os líderes de Yashorúl mandaram chamar
o marido da mulher assassinada e quiseram saber como tinha acontecido.
4-7Chegámos de viagem a Gibeá, na terra de Benyamín, para ali passar a noite,
começou ele. Nessa mesma noite, homens de Gibeá chegaram-se à casa onde
estávamos, e quiseram matar-me; violaram a minha mulher, que acabou por morrer.
Por isso lhe separei o corpo em doze pedaços que mandei por todo o Yashorúl,
pois que essa gente cometeu um crime execrável. Agora, filhos de Yashorúl,
digam o que pensam; dêem-me um conselho! 8-10Todos, como um só homem,
responderam: Nem um só dentre nós regressará a casa antes de termos castigado a
povoação de Gibeá. Um décimo do exército será escolhido, tirando à sorte, para
nos fornecer mantimentos, e o resto de todos nós iremos destruir Gibeá,
vingando esta horrível ação. 11A nação inteira se uniu nesta tarefa. 12-17Foram
enviados mensageiros à tribo de Benyamín, perguntando: Vocês estão ao corrente
do que aconteceu de terrível no vosso meio? Entreguem-nos essa gente má, da
cidade de Gibeá, para que os executemos e expurguemos este mal de Yashorúl.No
entanto o povo de Benyamín não quis dar seguimento a esta mensagem. Em vez
disso reuniram vinte e seis mil homens armados, que foram juntar-se aos
setecentos guardas locais de Gibeá, para os ajudar a defenderem-se do ataque do
resto de Yashorúl. (Entre estes havia também uns setecentos homens canhotos,
que eram esplêndidos atiradores com a mão esquerda. Eram capazes de acertar num
alvo formado por um simples cabelo; e nunca erravam.) O exército de Yashorúl,
sem contar com os homens de Benyamín, eram quatrocentos mil. 18Antes da batalha
a tropa de Yashorúl foi primeiro a Bohay-Úl para pedir conselho a YAHU ULHÍM:
Qual a tribo que nos conduzirá contra o povo de Benyamín? YAHU ULHÍM
respondeu-lhes: YAHUDAH irá à frente. 19-25O exército todo iniciou a marcha na
manhã seguinte, dirigindo-se a Gibeá para atacar os de Benyamín. Mas o certo é
que a tropa que defendia a cidade irrompeu de lá corajosamente e conseguiu
matar, só naquele dia, vinte e dois mil Yashorulítas. O exército de Yashorúl
lamentou-se perante YAHU ULHÍM, até à noite, perguntando: Será justo
continuarmos a lutar contra os nossos irmãos de Benyamín? YAHU ULHÍM
respondeu-lhes: Sim. Então os soldados Yashorulítas encheram-se de coragem e
encetaram um novo ataque no dia seguinte no mesmo lugar. E mais uma vez
perderam, nesse dia, dezoito mil homens de guerra, todos experientes soldados.
26-28Toda a nação foi chorar de novo perante YAHU ULHÍM, em Bohay-Úl, jejuando
até ao anoitecer, oferecendo holocaustos e ofertas de paz. (Naqueles dias, a
arca de YAHU ULHÍM encontrava-se em Bohay-Úl, e Pinkhós, filho de Úlozor, neto
de Aharón, era o intermediário.)Os homens de Yashorúl perguntaram a YAHU ULHÍM:
Iremos de novo atacar os nossos irmãos de Benyamín, ou suspendemos a luta?Vão,
pois que amanhã serão vocês quem há-de derrotar Benyamín, foi a resposta.
29-31Os Yashorulítas puseram emboscadas ao redor da cidade, e atacaram uma
terceira vez, formando em ordem de combate, como habitualmente. Quando os de
Benyamín sairam da cidade para os enfrentar, a tropa de Yashorúl recuou, com a
intenção de afastar os Benyamitas da cidade. E tal como antes, estes últimos
começaram a matar alguns adversários, ao longo do caminho entre Bohay-Úl e
Gibeá; sempre houve uns trinta homens que morreram, assim. 32As tropas de
Benyamín já gritavam: Estamos a derrotá-los novamente!, mas não percebiam que
se tratava de um movimento estratégico, combinado antecipadamente, fazendo com
que os Benyamitas, ao persegui-los, se afastassem suficientemente da cidade.
33-45Assim, quando o grosso do exército Yashorulíta chegou a Baal-Tamar,
resolveu voltar-se e atacar a sério; os dez mil que estavam emboscados a
ocidente de Gibeá mostraram-se, e avançaram contra a retaguarda dos Benyamitas,
os quais nem sequer se davam bem conta do tremendo desastre que lhes ia
acontecer. Assim YAHU ULHÍM ajudou Yashorúl a derrotar Benyamín, matando vinte
e cinco mil e cem homens deles nesse dia, tendo ficado apenas um pequeno resto
das suas forças militares.(Resumo da batalha:) O exército de Yashorúl recuou
perante as tropas de Benyamín a fim de dar aos contingentes que se achavam
emboscados mais campo de manobra. Quando os de Benyamín já tinham morto uns
trinta Yashorulítas, começaram a pensar que estava segura uma nova matança
massiça, à semelhança do que acontecera antes. Mas nessa altura, os soldados
emboscados saltaram sobre a cidade, mataram todos os habitantes e
incendiaram-na. A grande nuvem de fumo que se levantou para o céu foi o sinal
para os Yashorulítas se voltarem e atacarem a sério o exército benjamita, que
agora, olhando para trás, ficou apavorado ao verificar que a sua cidade fora
incendiada e que ficavam numa situação angustiosa. Assim começaram a fugir para
o deserto; os Yashorulítas contudo perseguiram-nos. As tropas que tinham ficado
emboscadas, juntaram-se a eles para liquidar a retaguarda dos adversários.
Cercaram dessa forma as forças de Benyamín a oriente de Gibeá e mataram muitos
deles ali. Dezoito mil soldados de Benyamín morreram nesse dia. O resto fugiu
para o deserto em direção da rocha de Rimom, mas cinco mil ainda foram mortos
no caminho para lá e mais dois mil perto de Gidom. 46-48Desta maneira a tribo
de Benyamín perdeu vinte e cinco mil bravos combatentes nesse dia, ficando
apenas uns seiscentos que escaparam refugiados no rochedo de Rimom, onde se
esconderam durante quatro meses. O exército de Yashorúl voltou e matou toda a
população de Benyamín – homens, mulheres, crianças, gado – incendiando todas as
cidades e povoações em toda a terra deles.

 

SHOFTIM 21

 

Mulheres para os Benyamitas

 

1-2Os líderes de Yashorúl tinham prometido
em Mizpá nunca mais deixar as suas filhas casarem com homens da tribo de
Benyamín. Os chefes Yashorulítas reuniram-se depois em Bohay-Úl, diante de YAHU
ULHÍM, chorando amargamente até à noite. 3Ó YAHU ULHÍM o Criador Eterno de Yashorúl,
clamavam eles, porque é que isto teve de acontecer, que agora falte uma das
nossas tribos? 4-5Na manhã seguinte levantaram-se cedo e construíram um altar,
oferecendo sacrifícios e ofertas de paz sobre ele. Então uma pergunta lhes veio
ao espírito: Houve alguma tribo que não se tivesse feito representar quando nos
reunimos perante YAHU ULHÍM em Mizpá? Nessa altura tinha-se feito um juramento
em como, se alguém recusasse vir, deveria morrer. 6Levantou-se pois entre todos
uma profunda tristeza pela perda da tribo irmã – Benyamín.Yashorúl perdeu uma
parte de si mesmo, diziam eles entre si. Perdemos toda uma tribo do nosso povo.
7E agora como é que vamos arranjar mulheres para os poucos que restaram visto
que jurámos, na presença de YAHU UL, que não lhes daríamos as nossas filhas?
8-12E tornaram a reflectir com respeito àquele juramento que tinham feito de
matar os que tivessem recusado apresentar-se em Mizpá, acabando por constatar
que ninguém de Yabesh-Gaúliod viera. Mandaram então doze mil dos seus melhores
soldados para destruir o povo daquela localidade; mataram os homens todos, mais
as mulheres casadas e ainda as crianças. Contudo pouparam as virgens em idade
de casar; destas, contaram-se quatrocentas, que foram trazidas ao campo de
Sheló. 13-14Yashorúl enviou após isso uma delegação de paz até ao pequeno resto
do povo de Benyamín, que estava na rocha de Rimom. As quatrocentas raparigas
foram-lhes dadas e a delegação voltou para trás; no entanto nem mesmo assim
havia bastantes raparigas para os Benyamitas todos. 15(Isto, claro está,
aumentava mais ainda a tristeza dos Yashorulítas, pelo fato de YAHU ULHÍM –
como dizia o povo – ter permitido aquela brecha no conjunto de Yashorúl.)
16-18O que é que havemos então de fazer com este problema de arranjar mulheres
para os outros! Logo haviam de ter morrido todas as mulheres de Benyamín!,
exclamavam os chefes de Yashorúl. Tem de haver uma solução, se não, toda uma
tribo de Yashorúl vai ficar perdida para sempre. Mas em todo o caso não
poderemos dar-lhes as nossas filhas. Jurámos solenemente em como qualquer de
nós que isso fizesse seria maldito de YAHU ULHÍM. 19A certa altura alguém
apresentou uma ideia: Anualmente há uma celebração religiosa, nos campos de
Sheló, entre Lebona e Bohay-Úl, junto à estrada -a nascente dela – o que vai de
Bohay-Úl a Siquem. 20-22Foram pois dizer aos homens de Benyamín que ainda
precisavam de mulheres: Vão-se esconder nessa altura por entre as vinhas, e
quando as raparigas de Sheló se chegarem para dançar, corram a apanhá-las e
levem-nas para vossas mulheres! Quando os pais e os irmãos delas vierem
protestar, dir-lhe-emos: Por favor, sejam compreensivos e deixem-nos ficar com
as moças; sabem bem que não conseguimos achar mulheres suficientes para eles
quando fomos destruir Yabesh-Gaúliod; e pela vossa parte vocês também não
podiam ter dado as raparigas sem se tornarem culpados. 23-24Os tais homens de
Benyamín fizeram assim; raptaram as moças que participavam na celebração
religiosa e levaram-nas consigo. Reconstruíram as povoações e continuaram a viver
ali. Assim o povo de Yashorúl regressou cada qual às suas terras. 25Não havia
pois rei em Yashorúl naquela altura, e cada um fazia o que lhe parecia melhor
na sua ideia.

 

 

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